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União Emirates-Etihad pode ser negócio da década do setor aéreo

Benjamin D. Katz

24/09/2018 15h29

A combinação da Emirates, que tem sede em Dubai, com a Etihad, de Abu Dhabi, seria o negócio da década no setor de aviação se concretizada.

Executivos das duas empresas vêm planejando em sigilo criar aquela que seria a maior empresa aérea do mundo em tráfego de passageiros, segundo pessoas familiarizadas com as discussões. O grupo teria receita combinada de US$ 29,3 bilhões e controlaria quase 5% das rotas aéreas do mundo.

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??Publicamente, Etihad e Emirates negam que estejam negociando uma fusão, mas ainda existe a possibilidade de a Emirates adquirir as operações aéreas da Etihad, segundo as pessoas, que pediram anonimato por discutirem considerações particulares. Houve conversas intermitentes durante algum tempo, disse uma das pessoas, e qualquer acordo enfrentaria contestações políticas e antitruste.

A seguir, cinco aspectos que tal união mudaria no setor aéreo:

Passagens mais caras

Os passageiros da Europa e da Ásia podem esperar um aumento nos preços das passagens, segundo analistas da Bloomberg Intelligence, porque as parceiras da fusão tirariam capacidade do mercado. Isso reduziria a pressão sobre concorrentes como Deutsche Lufthansa e Air France-KLM, que operam rotas semelhantes. Quase todas as rotas operadas pela Etihad são operadas também pela Emirates, e mais da metade das rotas da Emirates são duplicadas pela Etihad.

Mega-hub

O negócio seria uma injeção de ânimo para o modelo de hub do Golfo, porque daria à empresa combinada o controle de dois grandes aeroportos para conexões.

"As empresas aéreas poderiam dividir o foco de cada aeroporto em diferentes regiões, concentrando os passageiros para os EUA em Abu Dhabi, que já conta com uma instalação de pré-liberação dos EUA que acelera o trânsito", disse o analista George Ferguson, da BI. "Dubai poderia concentrar os viajantes europeus."

Pressão sobre fabricantes de aviões

Com o apoio da Emirates, a Etihad ganharia mais influência para negociar com Airbus e Boeing para cancelar parte de uma carteira de pedidos que agora soma 174 aviões no valor de US$ 46 bilhões. A Emirates é maior e melhor no quesito compras de aviões, e é uma cliente fundamental dos maiores jatos das duas fabricantes. Grande parte do potencial de eficiência de uma fusão resultaria em uma sobreposição menor de rotas, o que diminuiria a necessidade de mais aeronaves.

Obstáculo antitruste

Um motivo para cautela em relação à fusão é a sobreposição de rotas. A Emirates já é a empresa aérea dominante para muitos destinos do Oriente Médio, da Índia e da Austrália. Isso significa que as operadoras provavelmente seriam obrigadas a abandonar rotas ou slots em grandes hubs, segundo David Fickling, colunista da Bloomberg Opinion.

Política

Rico em petróleo, o emirado de Abu Dhabi ajudou a resgatar Dubai após a crise financeira de 2008 e continua sendo a base das reservas de petróleo dos Emirados Árabes Unidos. No entanto, Dubai fez um trabalho melhor em termos de desenvolvimento da indústria do turismo e conta com a empresa aérea mais forte. Apesar de os dois xecados terem cooperado no passado na consolidação de empresas, qualquer negócio exigiria acordos delicados.

--Com a colaboração de Kyunghee Park, Dinesh Nair, Matthew Martin e Layan Odeh.

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