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Morgan Stanley reúne mulheres para planejar ascensão feminina

Sonali Basak e Jordyn Holman

25/09/2018 15h24

(Bloomberg) -- As mulheres dos mais altos escalões do Morgan Stanley viajarão de todo o mundo para Nova York nesta semana para resolver um problema incômodo: a escassez delas.

O banco, que busca impulsionar o avanço das mulheres até patamares mais elevados, organizará uma cúpula em Manhattan na quarta e na quinta-feira para cerca de 350 pessoas que já são diretores-gerentes da empresa. O encontro faz parte de uma iniciativa plurianual apoiada pelo CEO James Gorman para corrigir a falta de diversidade de gênero nos cargos de chefia da empresa -- um problema persistente em Wall Street.

As mulheres atualmente representam apenas 19 por cento dos diretores-gerentes do Morgan Stanley. Mais acima, há apenas três mulheres no comitê operacional, o órgão diretor mais sênior da empresa, de 17 membros.

"Estruturalmente é duro, difícil, por isso é preciso que haja energia e intensidade por trás disso", disse Clare Woodman, uma das três mulheres. Ela foi promovida recentemente para a chefia de todos os negócios do Morgan Stanley na Europa, no Oriente Médio e na África.

O encontro é, antes de tudo, uma reunião de negócios, disse Shelley O'Connor, codiretora da divisão de gestão de riquezas, que também faz parte do comitê operacional. "Acho que será uma oportunidade de ter uma discussão bastante aberta com os homens mais seniores que também estiverem presentes", disse.

CEO, presidente

Entre os palestrantes estarão Gorman, o presidente Colm Kelleher e uma série de convidados externos, incluindo a CEO da Nasdaq, Adena Friedman, pioneira em seu setor.

O Morgan Stanley conta com quase 60.000 funcionários em todo o mundo. A porcentagem de mulheres na força de trabalho global da empresa nos EUA era de cerca de 38 por cento de 2010 a 2015. O Morgan Stanley não publicou estatísticas nos últimos dois anos. Quatro dos 13 membros do conselho são mulheres.

O banco teve sua parcela de pressão neste ano com reportagens sobre supostos casos de assédio em seus escritórios de gestão de riqueza de Portland, Oregon e Los Angeles, nos EUA, além de um incidente envolvendo o ex-congressista americano Harold Ford, executivo que gerenciava relações com corporações e clientes individuais por meio do banco. Ford negou as acusações e o Morgan Stanley afirmou que ele não seria demitido por má conduta sexual.

No início do ano, Sallie Krawcheck, que já fez parte do alto escalão do setor de gestão de riquezas e hoje administra uma empresa que gerencia recursos para mulheres, destacou a falta de diversidade entre os assessores financeiros do Morgan Stanley. A postagem dela provocou centenas de comentários no LinkedIn, demonstrando desde decepção com a baixa representação das mulheres até críticas pelo que alguns consideraram uma análise incompleta.

A reunião desta semana dará a Gorman a chance de fazer um comunicado sobre uma questão que atormenta todo o setor. O Wall Street Journal noticiou em agosto que o Wells Fargo está realizando uma investigação interna em meio a queixas de preconceito de gênero dentro da organização. O Citigroup estabeleceu metas específicas para garantir que 40 por cento dos gerentes sejam mulheres até 2021.

Repórteres da matéria original: Sonali Basak em N York, sbasak7@bloomberg.net;Jordyn Holman em N York, jholman19@bloomberg.net

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