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Google, Facebook e Twitter unem forças contra fake news na União Europeia

Natalia Drozdiak

26/09/2018 12h26

(Bloomberg) — O Google, da Alphabet, o Facebook e o Twitter prometeram trabalhar com outras empresas de tecnologia e publicidade para combater a propagação de "fake news" (notícias falsas) pela internet na Europa, principalmente para impedir que elas prejudiquem eleições na região.

O grupo, uma aliança ad hoc que inclui a Mozilla e organizações empresariais de publicidade, apresentou um código de conduta à Comissão Europeia, o órgão executivo do bloco. Em abril, a UE pediu que as plataformas da internet e as empresas de redes sociais apresentassem um plano para combater a desinformação on-line sob risco de enfrentar possíveis regulamentações caso não o fizessem.

A Comissária da Economia e Sociedade Digitais da UE, Mariya Gabriel, recebeu bem o código nesta quarta-feira, considerado um passo na direção certa, mas pediu que as plataformas intensifiquem suas iniciativas nesta área e acrescentou que a Comissão "prestaria especial atenção à implementação efetiva". A Comissão afirmou que analisaria os primeiros resultados do código até o fim do ano e que poderia propor regulamentações se os resultados forem insatisfatórios.

As propostas chegam após meses de pressão dos legisladores nos EUA e na Europa sobre as empresas de tecnologia para saber se os russos disseminaram informações errôneas pelas plataformas em 2016 para interferir na eleição presidencial dos EUA e na votação do Brexit no Reino Unido. As autoridades da UE esperam impedir ou minimizar uma repetição do problema antes da eleição da UE, que será realizada no segundo trimestre de 2019. As empresas de tecnologia, que foram duramente criticadas pelos conservadores nos EUA por falta de imparcialidade, afirmam estar tentando resolver o problema sem restringir a liberdade de expressão.

As redes sociais e as empresas de internet também estão sendo investigadas por órgãos reguladores e legisladores nos EUA e na UE pelo modo em que processam os dados dos usuários.

De acordo com o novo plano, as empresas investirão em produtos, tecnologias e programas que ajudem as pessoas na Europa a tomar decisões conscientes quando encontrarem notícias que poderiam ser falsas na internet; a priorizar informações verídicas nos rankings de pesquisa ou feeds de notícias; e a visibilizar distintas perspectivas. Como parte do acordo, as empresas afirmaram que apoiariam iniciativas para desenvolver indicadores de confiabilidade em colaboração com organizações da imprensa.

O grupo também se comprometeu com políticas que têm o objetivo de impedir que anúncios sejam usados para espalhar informações errôneas, por exemplo, restringindo os serviços de publicidade para organizações que distorçam a própria imagem constantemente na internet. As empresas também decidiram, em determinadas circunstâncias, ajudar os anunciantes a monitorar o posicionamento de anúncios e escolher onde as propagandas serão exibidas.

Um grupo de "teste" que inclui associações da imprensa, da mídia e de consumidores, encarregado de avaliar o plano de ação das empresas de tecnologia, afirmou que o código não contém "nenhum compromisso claro e significativo, nenhum objetivo mensurável e, portanto, nenhuma possibilidade de monitorar o processo" e pediu que a UE monitore atentamente a situação.

No código de conduta, as empresas de tecnologia afirmaram que publicariam relatórios anuais, que seriam submetidos à análise de um terceiro independente, sobre seu trabalho no combate às notícias falsas. Os compromissos voluntários estariam abertos à adesão de outras empresas e podem ser atualizados no futuro.

—Com a colaboração de Stephanie Bodoni.