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Fabricante do Marlboro aposta em futuro com cigarro sem fumaça

Thomas Mulier

27/09/2018 14h48

(Bloomberg) -- A Philip Morris International prevê que a divisão de alternativas ao cigarro se recuperará da recente desaceleração por meio de alianças com hotéis, dentistas e empresas de seguro de vida para tentar convencer mais fumantes a realizar a troca.

As vendas dos bastões de tabaco usados em produtos como o aparelho iQos vão mais que dobrar até 2021, para até 100 bilhões de unidades, projetou a fabricante dos cigarros Marlboro nesta quinta-feira, em reunião com investidores, em sua sede em Lausanne, na Suíça. O número é superior ao total de cigarros vendidos pela empresa atualmente na América Latina e no Canadá combinados.

Apesar do otimismo da empresa em relação às alternativas sem fumaça, a Philip Morris reduziu sua projeção de lucro para 2018 devido às crises cambiais na Argentina e na Turquia, transformando-se em uma das primeiras grandes fornecedoras de bens de consumo a sinalizar os efeitos da turbulência. A empresa informou que o resultado ajustado por ação aumentará a uma taxa média composta de pelo menos 8 por cento de 2019 a 2021.

O sistema iQos enfrenta obstáculos neste ano em meio à desaceleração do crescimento no Japão, mercado onde tem tido mais sucesso. Para fazer com que mais fumantes passem a usar o produto, que aquece o tabaco em vez de queimá-lo, a empresa está entrando em contato com dentistas e farmacêuticos e buscando parceiros para oferecer apólices de seguro de vida mais baratas para as pessoas que fizerem a conversão. A fabricante de cigarros informou que atualmente mais de 200 hotéis oferecem quartos nos quais os hóspedes têm permissão de usar o iQos.

A empresa estima que as vendas de bastões de tabaco aquecido subirão dos 36 bilhões do ano passado para 42 bilhões com o lançamento de um novo aparelho mais compacto e de mais sabores de tabaco. Cada 2 milhões de pessoas adicionais que passam do cigarro comum para o iQos somam cerca de US$ 900 milhões à receita anual, afirmou a Philip Morris. A empresa estima que 5,8 milhões de pessoas tenham mudado para a iQos, cuja participação de mercado, se fosse um cigarro, a colocaria entre as 15 maiores marcas.

A dificuldade para conquistar novos clientes no Japão é significativa porque no país residem quase dois terços dos 8,6 milhões de usuários do iQos. Cerca de 15 por cento do tabaco consumido no Japão consiste em bastões aquecidos iQos, um sucesso que a Philip Morris até o momento não conseguiu replicar em outras partes, apesar de oferecer o dispositivo em outros 42 mercados. Isso levou analistas e concorrentes como a Imperial Brands a questionar se o tabaco aquecido realmente terá sucesso em outros lugares.

O CEO da empresa, André Calantzopoulos, disse que algumas autoridades, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), têm tido um relacionamento muito "opositor" com as fabricantes de tabaco e que ele gostaria de iniciar uma "conversa adulta" com elas.

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