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Investidores discordam sobre política monetária nos EUA em 2019

Adam Haigh e Ruth Liew

27/09/2018 15h32

(Bloomberg) -- Tanto os que esperam rigidez quanto os que preveem uma postura mais branda por parte do banco central dos EUA gostaram do que ouviram do presidente Jerome Powell.

Com os juros em alta, as visões distintas de casas como Morgan Stanley e Charles Schwab a respeito da velocidade do aperto monetário no ano que vem intensificam o debate sobre suas convicções de investimento.

A dificuldade é saber o ritmo das decisões de política monetária e como afetaria os preços dos ativos. O próprio Federal Reserve está dividido sobre o que fará em 2019: quatro integrantes do comitê esperam dois acréscimos, quatro esperam três altas e outros preveem até quatro elevações nos juros.Em relação a 2019, "há consenso de que haverá mais movimentos, mas não um consenso forte real sobre quantos", disse Dennis Lockhart, ex-presidente do escritório regional do Fed em Atlanta, em entrevista à Bloomberg TV. "Eles vão sentindo o ambiente na direção de uma noção de neutralidade."

Resumimos as reações de alguns investidores e estrategistas aos comentários de Powell:

Jeffrey Cleveland - Payden & Rygel

A entrevista coletiva de Powell foi muito interessante porque ele falou muito de incerteza. Também sinto isso com os juros. Muita gente no mercado de renda fixa tem confiança de que o rendimento do título (do Tesouro americano) com prazo de 10 anos permanecerá ao redor de 3 por cento. Nos próximos seis meses, pode ficar acima disso não só porque o Fed continuará subindo os juros, mas porque a taxa terminal pode ser maior do que 3 por cento, talvez até 3,5 por cento.

Também há risco de inflação acima do esperado no ano que vem. Se isso acontecer, o rendimento dos papéis de 10 anos pode avançar para 3,5 por cento nos próximos 12 meses.

Raymond Lee - Kapstream Capital

Se a curva ficar onde está ? o cenário mais provável, na minha visão ?, até o meio do ano que vem o Fed vai subir os juros pelo menos mais duas vezes. Presumindo que a curva ficará relativamente achatada, o rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos deve ficar em 3,25 por cento, talvez em3,5 por cento.

Lachlan McPherson - Charles Schwab

Há forte probabilidade de muito mais volatilidade à medida que o aperto se concretiza. Estamos no estágio final de um período de ganhos e isso pode aumentar a volatilidade.

McPherson prefere ações defensivas nos EUA, como as do setor de saúde, e espera mais valorização do dólar.

Matthew Hornbach - Morgan Stanley

A expectativa é que o Fed eleve os juros mais três vezes até junho de 2019. O entendimento de Powell sobre os riscos a altas mais aceleradas nos juros sugere que, para o rendimento dos títulos do Tesouro atingir novas máximas, a inflação ao consumidor precisa ficar acima do previsto

Akira Takei - Asset Management One

A curva nos EUA vai ficar mais inclinada quando a taxa básica de juros atingir um platô. A operação mais rentável nos papéis do Tesouro passará para os prazos de 5 a 10 anos, em vez de favorecer os títulos com vencimento em 10 ou 30 anos. A última decisão do Fed não causou inclinação imediata da curva, mas foi um passo nessa direção.

A Asset Management One está aumentando as posições vendidas em dólar após a decisão do Fed na quarta-feira.

Mark Cabana - Bank of America Merrill Lynch

As projeções do Fed teoricamente abrem espaço para a alta do dólar, porém falta um catalisador para o mercado. Os mercados continuam esperando cerca de dois acréscimos nos juros no ano que vem, enquanto o Fed indica três. Continuamos achando que o dólar provavelmente chegou ao ponto máximo e a tendência será de depreciação novamente.

--Com a colaboração de Chikako Mogi.

Repórteres da matéria original: Adam Haigh em Sydney, ahaigh1@bloomberg.net;Ruth Liew em Sydney, rliew6@bloomberg.net