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Firma suíça testa moeda digital garantida por cesta de metais

Jan-Patrick Barnert

28/09/2018 13h14

(Bloomberg) -- A Tiberius Group, gestora de recursos e corretora de commodities da Suíça, está entrando no mercado de moedas digitais ? que movimenta US$ 215 bilhões ? com uma nova modalidade, lastreada em sete metais. A primeira venda está marcada para 1º de outubro.

Na tentativa de distinguir a Tiberius Coin de milhares que não têm valor de referência, a firma pretende formar mercado para o ativo, de modo que o valor se mantenha próximo do valor de uma cesta que contém cobre, alumínio, níquel, cobalto, estanho, ouro e platina.

A firma de investimento fundada por Christoph Eibl 13 anos atrás estreia em um território marcado por projetos fracassados, mas dá garantia aos compradores de que o valor da moeda digital deriva de algo mais do que um ativo (como o ouro) ou da promessa de não permitir emissão descontrolada ou mesmo do semianonimato.

A iniciativa é liderada pelo braço Tiberius Technology Ventures, com sede em Baar. A Suíça tem se destacado como um dos países mais liberais do mundo na adoção de dinheiro emitido em caráter privado.

"Em vez de tornar apenas uma commodity subjacente à moeda digital, escolhemos uma combinação de metais usados pelo setor de tecnologia, metais de estabilidade e metais usados em veículos elétricos", afirmou o presidente da divisão, Giuseppe Rapallo. "Isso dará mais diversificação à moeda, tornando-a mais estável e atraente para investidores."

A nova moeda será oferecida por aproximadamente US$ 0,70 e obedecerá a lei suíça ? sem funcionar sob o regime de oferta inicial de moeda (initial coin offering ou ICO) em caráter desregulamentado. A oferta dependerá somente da demanda e será limitada apenas pela disponibilidade dos metais subjacentes, explicou Rapallo.

Bolsa da Estônia

A moeda será listada na bolsa LATOKEN, da Estônia, escolhida por atender determinados padrões regulatórios, segundo Rapallo.

Fundada por Eibl em 2005, a Tiberius Group negocia commodities físicas e administra cerca de US$ 350 milhões para clientes. Philip Zimmermann, o cientista-chefe e diretor de segurança da Tiberius Technology Ventures, ficou famoso após criar o software de criptografia de email Pretty Good Privacy (PGP).

A Tiberius Coin usará a tecnologia blockchain para registrar transações e pretende oferecer aos investidores a opção de uso como moeda digital. O usuário poderia pagar por café ou roupa, por exemplo, com alguns gramas de metal, simulando uma permuta.

O ouro vem sendo usado para garantir certificados, moedas e outros instrumentos ? nem sempre com sucesso. Nos primeiros dias da internet, a E-Gold, fundada em 1995, foi usada por milhões e depois encerrada. Mais recentemente, com a Bitcoin na liderança das moedas digitais e blockchain proporcionando contabilidade descentralizada, surgiram novas moedas garantidas por commodities (como Golden Currency e GoldFinX), também com resultados mistos.

"Dezenas de firmas lançaram moedas estáveis atreladas a metais, mas até agora nenhuma avançou muito", disse Adrian Ash, diretor de pesquisa da BullionVault, de Londres, que desde 2005 oferece transações com metais guardados em cofres a 70.000 clientes em todo o mundo, que negociam diretamente entre si em uma plataforma online que não usa blockchain. A companhia guarda US$ 1,5 bilhão em ouro. "Eles estão tentando resolver um problema que não existe - tudo isso pode ser feito sem o custo adicional de um registro distribuído", disse Ash.

--Com a colaboração de Eddie van Der Walt.

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