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Aéreas dos EUA encontram nova forma de lucro na classe econômica

Justin Bachman

04/10/2018 15h50

(Bloomberg) -- Os passageiros provavelmente não correrão para elogiar as empresas aéreas por isso, mas os investidores do setor devem encontrar muitos motivos para adorar essa inovação de oferecer só um pouco mais de espaço pelo dobro do dinheiro.

Com os assentos econômicos cada vez mais apertados e a classe executiva mais luxuosa e cara, é crescente a demanda por uma opção intermediária que ofereça aos passageiros um pouco mais de conforto em voos internacionais longos sem cobrar muito por isso.

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Foi assim que os assentos "premium economy" oferecidos em uma fatia cada vez maior das frotas de jatos internacionais se transformaram em uma das inovações mais lucrativas da aviação moderna.

Os passageiros pagam, muitas vezes, o dobro --e às vezes o triplo-- do preço da classe econômica. E essa é a parte brilhante, sob a perspectiva das empresas aéreas: ao adicionar uma classe que gera caixa, as empresas têm custos apenas um pouco mais elevados sem tirar os passageiros ricos dos assentos mais luxuosos. As empresas aéreas dos EUA estão correndo para adicionar a oferta, que foi criada por concorrentes estrangeiras.

"Poder ganhar o dobro por algo cuja produção não custou o dobro é sempre vantajoso para qualquer empresa", disse Seth Kaplan, editor da publicação setorial Airline Weekly, observando que a cabine premium "não ocupa o dobro do espaço e que a comida não custa o dobro".

Vantagens premium

A classe "premium economy", criada no início dos anos 1990 em Taiwan e no Reino Unido, normalmente oferece assentos mais largos com mais espaço para as pernas, serviço de refeição melhor e telas de vídeo maiores. A opção virou item essencial para as empresas aéreas internacionais de longo curso devido à demanda de passageiros e ao lucro gerado pela categoria, superior ao obtido com assentos econômicos regulares.

Um voo de ida e volta e sem escalas da American  Airlines de Los  Angeles, nos EUA, para Londres, na Inglaterra, entre 14 e 21 de novembro teve preço fixado em US$ 1.791,41 na categoria "premium economy" --quase o triplo da tarifa da classe econômica, de US$ 577, para a mesma viagem.

Um assento premium em um voo da Delta Air  Lines sem escalas de Detroit, nos EUA, a Tóquio, no Japão, para as mesmas datas teve preço fixado em US$ 2.803,41 --US$ 1.602 a mais do que na classe econômica. Na Qantas, a diferença entre as duas categorias foi de mais de US$ 2.000 para o voo sem escalas de Dallas, nos EUA, a Sidney, na Austrália, que custava US$ 3.673 ida e volta na categoria "premium economy".

Os voos de mais de 14 horas oferecem a melhor oportunidade para fornecer vários níveis de produtos para atender os clientes, disse Phil Capps, chefe de experiência do cliente da Qantas Airways, que começou a vender assentos "premium economy" há uma década com a chegada de seus primeiros aviões Airbus A380. "Isso realmente está permitindo explorar a demanda reprimida daqueles que viajam na classe econômica há alguns anos", disse.

A "premium economy" começou a ser oferecida em 1992 pela EVA Airways e pela Virgin Atlantic Airways com meses de diferença entre uma e outra.

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