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Clientes mais ricos são penalizados por MiFID, diz Nordea

Frances Schwartzkopff

15/10/2018 12h27

(Bloomberg) -- Clientes com patrimônio líquido elevado podem estar perdendo acesso às melhores ofertas de investimento devido à revisão das regras do mercado europeu, segundo as pessoas que administram vendas de dívidas e mercado do Nordea Bank.

Philip Asp, diretor de soluções de dívida e risco do maior banco nórdico, e Henrik Kall, diretor de vendas e distribuição de mercados, afirmam que a Diretiva dos Mercados de Instrumentos Financeiros da Europa faz uma distinção entre investidores de varejo e profissionais de uma forma que não necessariamente reflete a sofisticação do cliente.

Se alguém é categorizado como investidor de varejo, pode não ter a garantia do mesmo acesso a produtos de investimento complexos apesar de ter uma experiência relevante, disseram os executivos.

"Os limites se tornam um pouco arbitrários", disse Asp, em entrevista.

A MiFID II, como é conhecida a diretiva revisada da Europa, foi aplicada em janeiro em uma iniciativa para ajudar os investidores buscando levar mais transparência aos mercados. Isso inclui tentar proteger os investidores de produtos complexos que eles podem não entender.

É verdade que os investidores de varejo ainda podem ter acesso a instrumentos altamente complexos, mas é necessário muito mais trabalho por parte dos consultores para documentar que tomaram todas as precauções necessárias para proteger os clientes.

Os executivos do Nordea afirmam que o resultado disso é que os investidores de varejo sofisticados de riqueza líquida elevada estão ficando de fora porque as firmas de investimento não necessariamente querem se sobrecarregar com a papelada extra.

"Se olharmos as carteiras de pedidos primárias vemos que hoje há menos linhas, ou seja, menos investidores do que antes, porque há um subsegmento do mercado hoje que provavelmente não terá possibilidade de participar porque o emissor decidiu, provavelmente em consulta com o arranjador, não facilitar esse segmento de investidores", disse Asp.

Segundo Kall, os clientes de riqueza líquida elevada foram efetivamente "excluídos desse mercado".

--Com a colaboração de Patrick Henry.