PUBLICIDADE
IPCA
0,87 Ago.2021
Topo

Legalização de maconha no Canadá começa a definir mercado

Kristine Owram

15/10/2018 15h06

(Bloomberg) -- A moda do cannabis está prestes a ter que encarar a realidade.

Depois que o Canadá legalizar a maconha recreativa, em 17 de outubro, vai levar só um trimestre ou dois para aparecerem vencedores ou perdedores claros, segundo investidores e analistas que acompanham o setor. Isso significa que os investidores terão que se tornar mais exigentes porque os dias de movimentos de ações muito correlacionados estão acabando.

"Todas essas ações foram conceituais e daqui a alguns meses as empresas terão que ser reais, e isso eu acho que apavora muita gente", disse Greg Taylor, gerente do Purpose Marijuana Opportunities Fund. Taylor prefere a CannTrust Holdings, a Hexo e a Organigram Holdings, que, segundo ele, têm "avaliações mais realistas" do que alguns dos pares maiores.

Existem mais de 135 empresas de maconha de capital aberto no Canadá, porém muitos acreditam que é só uma questão de tempo para esse número ser reduzido a um punhado de sobreviventes, seja por meio de consolidação ou de falências.

"Me perguntam o tempo todo, vai ter consolidação? Eu acho que vai ter desintegração", disse Bruce Linton, CEO da Canopy Growth, em uma conferência sobre maconha em Toronto em agosto. "A desintegração ocorrerá quando as pessoas fizerem promessas com avaliações que provavelmente não conseguirão atingir."

Pode ser que três anos depois da legalização sobrem apenas meia dúzia de grandes operadores, disse Eric Paul, presidente da CannTrust, com sede em Vaughan, Ontário.

O restante "vai falir ou desistir porque seus modelos de negócios não funcionam", disse Paul. "Este setor é muito mais brutal do que a maioria das pessoas imagina."

Vencedores e perdedores

Então, o que distinguirá os vencedores dos perdedores? Uma presença significativa no mercado recreativo do Canadá combinada com a exposição ao mercado médico internacional é um fator-chave, segundo Matt Bottomley, analista da Canaccord Genuity Group. A Aphria, a CannTrust e a Hexo são algumas das empresas preferidas de Bottomley.

"Eu acho que daqui a cinco anos vamos ver o mercado médico internacional, que hoje é de cerca de US$ 1 bilhão ou talvez menos, passar a ser de cerca de US$ 50 bilhões ou US$ 100 bilhões", disse Bottomley.

Os custos de produção baixos serão outro ingrediente essencial para ter sucesso. "Será impossível se eles não estiverem produzindo maconha a menos de US$ 1 por grama", disse Taylor. Poucos produtores chegam a esse preço, mas muitos dizem que seus custos cairão à medida que a produção aumentar.

Algumas empresas também estão buscando parcerias com empresas globais de alimentos e bebidas para alavancar poder financeiro e de marketing à medida que mais países e estados flexibilizam as restrições ao uso de maconha. A Canopy, a segunda maior empresa de cannabis em valor de mercado, conta com a Constellation Brands, fabricante da cerveja Corona, como sua maior investidora. A Hexo tem uma joint venture com a Molson-Coors Brewing, e a Altria Group, a fabricante dos cigarros Marlboro, está negociando a aquisição de uma participação minoritária na Aphria, de acordo com uma matéria do jornal Globe and Mail.

PUBLICIDADE