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Algodão pode chegar em breve ao seu prato

Lydia Mulvany

17/10/2018 13h11

(Bloomberg) -- Os americanos poderão em breve começar a comer algodão -- e não apenas vesti-lo -- com a iminente chegada de uma nova variedade comestível ao mercado.

Na terça-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA deu luz verde para a comercialização de uma versão biotecnológica da planta do algodão cujas sementes podem ser comidas, segundo a Texas A&M University, que a desenvolveu ao longo de mais de duas décadas. Ainda é necessária a aprovação da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês), o que, segundo a universidade, é esperado para daqui a alguns meses. Depois disso, os produtores poderão cultivar algodão tanto para fibras quanto para alimentos.

Keerti Rathore, professor da Texas A&M, começou a trabalhar no projeto há 23 anos e descobriu como silenciar um gene na planta que produz uma toxina chamada gossipol. Embora proteja a planta de insetos, o gossipol faz com que as sementes não sejam comestíveis para os seres humanos e para a maioria dos animais.

"Vai ter gosto de homus", disse Rathore. "Não é totalmente desagradável."

Serão necessários muitos anos para que os produtores possam produzir comercialmente, já que a oferta de sementes precisa ser incrementada a partir da próxima safra, disse Kater Hake, vice-presidente da Cotton, que realiza pesquisas e marketing para os produtores e financiou o projeto.

Há muita proteína nas sementes de algodão -- o suficiente para atender as necessidades diárias de 600 milhões de pessoas se todo o algodão do mundo fosse substituído por variedades comestíveis, disse Hake, por telefone.

Como nozes

Na qualidade de semente, seu valor nutricional é semelhante ao das amêndoas e das nozes. Tecnólogos de alimentos fizeram experiências produzindo leite, bolacha salgada, biscoito, manteiga e substitutos de nozes picadas a partir da semente do algodão, disse Hake. A proteína também pode ser extraída e transformada em uma farinha que pode ser usada em barras energéticas ou farinhas, disse Rathore.

O setor mira também a aquicultura, segundo Hake, porque as sementes de algodão podem ser usadas para alimento para peixes carnívoros como salmão e truta, que comem farinha de peixe. O algodão seria uma alternativa de baixo custo que poderia substituir até metade da farinha de peixe. Também ajudará os agricultores, que poderão vender as sementes, atualmente consideradas um subproduto quase inútil.

A descoberta "abre a oportunidade de que futuramente toda planta de algodão tenha essa tecnologia", disse Hake. "Não há motivos para deixar uma toxina em uma planta domesticada."

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