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Bilionários oferecem milhões para converter cientistas em astros

Reade Pickert

17/10/2018 14h49

(Bloomberg) -- Uma bióloga molecular do MIT e um pesquisador sênior da Ionis Pharmaceuticals estão entre os vencedores do Prêmio Breakthrough 2019, um prêmio científico financiado por bilionários como Mark Zuckerberg e Sergey Brin, entre outros.

O prêmio de US$ 3 milhões, entregue sem contrapartidas, é mais de duas vezes maior que o do Prêmio Nobel e será destinado a duas duplas e quatro indivíduos, totalizando US$ 18 milhões em prêmios em dinheiro. Mais US$ 1 milhão será destinado a investigadores em início de carreira e a um adolescente por um vídeo científico original.

Entre os vencedores anunciados nesta quarta-feira há imigrantes de China, Áustria e Uruguai nos EUA; uma professora de Harvard que trabalha em um Google Map das 30 trilhões de células do corpo humano; uma dupla da Universidade da Pensilvânia que prevê uma nova classe de materiais para uso em computação quântica e um matemático que trabalha em Grenoble, na França, em tecnologias de energia limpa.

C. Frank Bennett, da Ionis Pharmaceuticals, e Adrian Krainer, do Cold Spring Harbor Laboratory, receberam um dos quatro prêmios destinados às ciências biológicas. Eles desenvolveram um tratamento para atrofia muscular espinhal, uma fraqueza ou paralisia nos músculos voluntários de crianças pequenas que pode levar à morte.

'Inédito'

A dupla esperava que os testes clínicos impedissem o avanço da doença, mas em vez disso as crianças começaram a melhorar.

"Elas puderam fazer coisas que haviam perdido a capacidade de fazer ou criaram habilidades que nunca haviam tido", disse Bennett, em entrevista por telefone, na terça-feira. "A maioria delas está caminhando, o que é inédito para esta doença."

Zhijian "James" Chen, do Southwestern Medical Center da Universidade do Texas e do Instituto Médico Howard Hughes, também ganhou em ciências biológicas. Ele descobriu uma enzima que funciona como um sensor que detecta o DNA de patógenos nocivos e alerta o sistema imunológico. A pesquisa dele ajuda no desenvolvimento de vacinas e tratamentos de doenças autoimunes e do câncer, disse.

Tapete vermelho

Parte do objetivo do prêmio é amplificar a apreciação do trabalho dos cientistas. Para isso, o Prêmio Breakthrough realiza uma noite de premiação com tapete vermelho, que neste ano teve Pierce Brosnan como apresentador.

"Os fundadores do prêmio e as pessoas que financiam o prêmio acreditam que os cientistas deveriam ser como astros do rock, porque o que fazemos tem um enorme impacto", disse a bióloga molecular Angelika Amon, vencedora em ciências biológicas. Amon, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e do Instituto Médico Howard Hughes, estuda aneuploidias, ou irregularidades no número de cromossomos.

Os prêmios serão transmitidos ao vivo em 4 de novembro a partir do Centro de Pesquisa Ames da Nasa em Mountain View, na Califórnia. Conforme anunciado anteriormente, a astrofísica Jocelyn Bell Burnell, da Universidade de Oxford, que descobriu o primeiro pulsar há mais de 50 anos, quando era estudante de pós-graduação, receberá um prêmio especial em física fundamental; seus colegas do sexo masculino nessa pesquisa receberam o Prêmio Nobel em 1974.

O Prêmio Breakthrough foi criado em 2012 e entre os apoiadores estão o cofundador do Facebook, Zuckerberg; a esposa dele, Priscilla Chan; o capitalista de risco Yuri Milner; e Brin, da Alphabet.

--Com a colaboração de Amanda Gordon.