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Nomes em lista do #MeToo são `ponta do iceberg', diz compiladora

Jessica Brice e Jeff Green

17/10/2018 14h36

(Bloomberg) -- Um ano depois do começo do movimento #MeToo, a equipe de Davia Temin continua acrescentando nomes ao que é conhecido em seu escritório como "o" índice.

A lista agora tem mais de 900 nomes, principalmente de homens pelos EUA afora (apenas 29 são mulheres) acusados de assédio sexual, agressões ou coisas piores. O número ainda não é muito grande, na opinião de Temin.

"Tenho certeza de que esta é a ponta da ponta da ponta do iceberg", disse ela, na sede da empresa de consultoria e gestão de crise que ela fundou há 21 anos, em Manhattan. "Acredite, as piores histórias ainda não foram contadas. As pessoas envolvidas nos piores casos ainda estão lambendo suas feridas por aí."

Vários inventários de acusações desse tipo foram organizados por pesquisadores, salas de bate-papo na internet, organizações da imprensa - uma delas é a Bloomberg News - e outros. A lista de Temin é considerada a mais abrangente. Para entrar nela, uma pessoa tem que ser mencionada em pelo menos sete reportagens jornalísticas como acusada de condutas como assédio sexual, agressão, abuso ou estupro e por tolerar e/ou ajudar a acobertar comportamentos desse tipo. Os dados remontam a dezembro de 2015 e às acusações contra o comediante Bill Cosby.

Inicialmente, o projeto partiu da necessidade de ter dados para citar em um discurso. Isso foi há um ano, depois da publicação da matéria do New York Times que detalhou as acusações de assédio, agressão ou estupro feitas por mais de uma dúzia de mulheres contra o produtor de cinema Harvey Weinstein, e depois que a atriz Alyssa Milano pediu, em 15 de outubro de 2017, que as mulheres compartilhassem suas experiências nas redes sociais com a hashtag #MeToo. Dois dias depois, mais de 760.000 tinham feito isso, segundo a Meltwater, que monitora o impacto nas redes sociais. Weinstein negou as acusações.

Temin queria saber se o movimento #MeToo seria "fogo de palha ou uma mudança radical". Mas seu pessoal não conseguia encontrar números que mostrassem a magnitude do problema. Ela decidiu que a Temin & Co. iria monitorar esses dados. O mundo da arte e do entretenimento representa a maioria dos casos, seguido de perto pelo governo e pelo âmbito corporativo, segundo uma análise da lista. Os setores de saúde, medicina e tecnologia registram muito menos acusações.

Antes do caso Weinstein, cerca de 5 por cento do trabalho de Temin era ligado ao assédio sexual; agora, a proporção aumentou para cerca de 20 por cento. Alguns conselhos a contrataram para ajudar a mudar sua cultura antes de algo eclodir. Ela tem uma política estrita de não divulgar o nome de seus clientes, que abrangem 280 corporações, universidades e fundações nos EUA e no exterior. O máximo que Temin chega a dizer é que entre eles estão quase todos os centros financeiros de Nova York.

O movimento #MeToo ainda está evoluindo, no entanto, especialmente depois da polêmica pela indicação de Brett Kavanaugh à Suprema Corte dos EUA, que estimulou o uso mensal mais frequente da hashtag #MeToo no Twitter, segundo a Meltwater. As audiências feitas às pressas pelo Senado sobre a acusação de Christine Blasey Ford de que ele a agrediu sexualmente - negada por Kavanaugh - são a antítese de como essas questões deveriam ser tratadas - por ambas as partes, disse Temin.

"Estamos na segunda etapa do #MeToo", disse ela. "Estamos nos tornando mais sofisticados no modo de fazer acusações e de investigá-las, e compreendemos a necessidade de maior sofisticação na reação aos resultados."

Repórteres da matéria original: Jessica Brice em São Paulo, jbrice1@bloomberg.net;Jeff Green em Michigan, jgreen16@bloomberg.net