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CEO da Apple critica rivais do Vale do Silício por uso de dados

Natalia Drozdiak e Stephanie Bodoni

24/10/2018 12h28

(Bloomberg) -- O CEO da Apple, Tim Cook, atacou empresas como Google e Facebook, que coletam dados dos usuários, equiparando seus serviços a "vigilância", e defendeu a importância da privacidade e de legislação para protegê-la.

Os comentários, em conferência sobre privacidade da UE em Bruxelas, na quarta-feira, foram feitos meses depois de o bloco implementar regras de proteção de dados novas e rigorosas e de a Apple começar a corrigir uma relação difícil com a UE após uma disputa de 13 bilhões de euros por impostos supostamente não pagos.

Em algumas das repreensões mais duras às concorrentes, Cook procurou diferenciar a fabricante do iPhone de concorrentes do Vale do Silício como Google, da Alphabet, e Facebook, ambos sob pressão devido a violações recentes de dados de usuários.

"Não devemos minimizar as consequências", disse, nesta quarta-feira. "Isso é vigilância e esses conjuntos de dados servem apenas para enriquecer as empresas que os coletam. Isso deveria nos incomodar."

Cook já havia criticado as empresas por basearem seus modelos de negócios na coleta de informações pessoais para publicidade, ao mesmo tempo destacando que a Apple tenta coletar o mínimo possível.

"Nós, da Apple, acreditamos que a privacidade é um direito humano fundamental, mas também reconhecemos que nem todos pensam assim", disse Cook, em referência às concorrentes. "O desejo de colocar os lucros acima da privacidade não é novidade."

Cook também reiterou os pedidos por uma legislação federal de privacidade para os EUA similar à lançada na Europa, chamada de Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados.

Após essas novas regras, órgãos reguladores e parlamentares da Europa e dos EUA voltaram os olhos para o Facebook e o Google, especialmente após revelações de possíveis violações de privacidade dos usuários.

O Facebook reportou em setembro um ataque cibernético que afetou 30 milhões de pessoas, no qual hackers roubaram informações privadas dos usuários, incluindo resultados de buscas, localizações recentes e cidades de origem, em muitos casos. E depois de manter sigilo por meses, o Google anunciou em outubro que encontrou uma "falha de software" em sua rede social Google+ em março, que pode ter exposto dados pessoais de até meio milhão de usuários.

Apesar de criticar essas empresas, a Apple se beneficia indiretamente desse negócio. O Google pagará à Apple até US$ 9 bilhões neste ano para que seu mecanismo de busca seja padrão do iPhone e de outros dispositivos da Apple em muitos lugares, estima o Goldman Sachs.

A Apple ganhou manchetes nos últimos tempos por problemas de segurança próprios após reportagem da Bloomberg que informou que espiões chineses usaram um microchip para se infiltrar nas redes de computadores de quase 30 empresas dos EUA, incluindo Apple e Amazon.

A Apple contestou veementemente a reportagem e afirmou que seus servidores não foram comprometidos. Em entrevista ao Buzzfeed News publicada na semana passada, Cook pediu a retratação da Bloomberg pela reportagem. Em resposta, a Bloomberg sustentou a reportagem e afirmou que confia na apuração e nas fontes.

Repórteres da matéria original: Natalia Drozdiak em Bruxelas, ndrozdiak1@bloomberg.net;Stephanie Bodoni em Luxemburgo, sbodoni@bloomberg.net