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CEO trans ergue império do entretenimento na Tailândia

Anuchit Nguyen

25/10/2018 13h39

(Bloomberg) -- A identidade de gênero não costuma ser um assunto de conversa do alto escalão executivo na Tailândia. Jakkaphong Jakrajutatip, porém, diz que a disposição para falar sobre sua transição de gênero ajudou sua empresa de entretenimento a chamar a atenção, o que levou ao crescimento da receita.

Hoje, a CEO da JKN Global Media é uma celebridade. Após várias entrevistas em programas de televisão e revistas sobre sua mudança de gênero, sua fama complementou "substancialmente" o crescimento dos negócios da empresa, já que clientes e fornecedores de conteúdo em potencial ficam muito mais dispostos a conhecer uma CEO famosa, disse ela.

A JKN - que abriu seu capital em novembro de 2017 - mais que triplicou sua receita e seu lucro líquido desde 2014. A conexão que Jakkaphong, de 38 anos, faz entre ter revelado publicamente sua transição de identidade de gênero e o salto dado pela receita e pelo lucro líquido da companhia é que essa revelação chamou a atenção para a empresa em um mercado lotado e também a deixou livre para se concentrar no desenvolvimento dos negócios e na expansão.

Sem a transição, "é improvável que JKN tivesse tanto sucesso e reputação na Tailândia", disse Jakkaphong em uma entrevista, observando que ela provavelmente seja a única CEO trans de uma empresa de capital aberto no país e talvez até na região. "Essa reputação facilitou muito nossas negociações de cooperação com clientes e fornecedores em potencial."

A JKN detém os direitos de distribuição na Tailândia de filmes e programas de televisão de empresas como Walt Disney, CBS e Sony. Seus programas populares são os seriados de televisão "CSI: Investigação Criminal" e "The Walking Dead", cujos principais clientes são redes de televisão aberta e redes a cabo, segundo o site da companhia.

Ela "tem sido uma personalidade interessante e única na comunidade empresarial tailandesa", disse Pornsook Amonvadekul, analista da Finansia Syrus Securities. "Isso ajuda a dar mais notoriedade pública" à empresa.

Obstáculos à empregabilidade

Pessoas trans na Tailândia costumam encontrar obstáculos à empregabilidade e são excluídas de muitos empregos, especialmente no serviço público, de acordo com uma pesquisa de 2015 encomendada pela Organização Internacional do Trabalho, uma agência de trabalho da Organização das Nações Unidas. Muitas pessoas trans na Tailândia acabam em empregos estereotipados, como intérpretes ou maquiadores, ou nos setores de vendas de cosméticos e de relações públicas, segundo o relatório.

Jakkaphong tornou-se uma defensora da comunidade trans, especialmente em prol de maiores oportunidades de emprego. Ela contratou uma mulher trans, disse ela, acrescentando que estimula ativamente que outras empresas estejam abertas a empregar pessoas trans.

"Derrubar as barreiras familiares e sociais com a transição de gênero foi a decisão mais difícil da minha vida", disse ela. "Isso me dá disposição e determinação para administrar a empresa."