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Sobraram apenas ratos de compra fracassada de fábrica de doces

Misyrlena Egkolfopoulou

31/10/2018 15h06

(Bloomberg) -- Se o mundo ainda não mudou o bastante para você, considere essa notícia triste: pela primeira vez, no Halloween deste ano, as crianças americanas poderão ter dificuldades para conseguir chocolates Clark Bar ou Mary Jane.

A New England Confectionery Company (Necco), fabricante de doces com sede em Massachusetts que é responsável por uma série de marcas emblemáticas que datam do século 19, fechou as portas após declarar falência. A boa notícia para os pacientes fãs é que os doces Clark Bar e Mary Jane, assim como o popular Sweetheart, retornarão nos próximos dois anos por meio de empresas diferentes. Mas o caminho percorrido pela fabricante de doces mais antiga dos EUA para chegar a esse ponto mostra mais uma vez a dificuldade de sustentar uma marca de consumo popular.

A história contém ingredientes conhecidos, como má gestão, dívida excessiva, mudança das preferências do consumidor. E falência, após uma década sob domínio de empresas de private equity como a Ares Management. Adicione mais um item capaz de revirar o estômago -- hordas de ratos no chão da fábrica.

"Todos previram que isso aconteceria, era apenas questão de quando e como", disse Jim Greenberg, copresidente da Union Confectionery Machinery, cuja empresa familiar forneceu máquinas para a Necco durante quase um século.

A Necco, em grande medida, fundou o setor de doces dos EUA em 1847, quando um farmacêutico chamado Oliver Chase construiu uma pequena máquina que produzia pastilhas. Isso originou as finas e coloridas Necco Wafers, que conservam até hoje a mesma receita e o mesmo sabor, o que é ao mesmo tempo bom e ruim. Logo veio o Sweetheart -- com mensagens como "Be Mine" ("Seja meu/minha"), "Miss You" ("Sinto sua falta") e "Love Me" ("Me ame").

Balas finas

A Necco prosperou nos 150 anos seguintes, construindo ou adquirindo outras marcas campeãs de vendas como Clark Bar, Haviland Thin Mints e Mighty Malted Milk Balls.

O declínio começou por volta de 2003, quando a diretoria construiu uma fábrica de US$ 130 milhões e 76.000 metros quadrados em Revere, Massachusetts. Acabou sendo grande demais. E surgiu em um momento em que os americanos estavam se distanciando do açúcar, disse Beth Kimmerle, autora do livro "Candy: A Sweet History".

A família vendeu o negócio para a empresa de investimentos American Capital Ltd (ACAS) por US$ 57 milhões em 2007. A situação só piorou. Na década seguinte, a Necco sofreu perdas de mais de US$ 150 milhões, segundo uma ação judicial de Harold Murphy, o administrador posteriormente designado para seu processo de falência. Murphy alegou que a ACAS extraiu dinheiro da Necco e acumulou dívidas.

A direção também fez grandes cortes de custos, inclusive do dinheiro para saneamento, segundo vários trabalhadores. Eles disseram que as visitas mensais dos exterminadores se tornaram esporádicas e que ratos selvagens começaram a tomar conta da fábrica.

A Necco posteriormente acabou nas mãos da Round Hill Investments, que é de propriedade de Dean Metropoulos, um investidor bilionário que é famoso por ter recuperado marcas como Hostess Twinkies, Pabst Blue Ribbon, Bumble Bee Tuna e Chef Boyardee.

Hoje, tudo o que resta da New England Confectionery Company é o legado dessas marcas. E as hordas de ratos que corriam em sua fábrica de Revere.

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