PUBLICIDADE
IPCA
0,24 Ago.2020
Topo

Criação de avião elétrico exige investimento final de US$ 200 milhões

Protótipo de avião elétrico da Eviation Aircraft - Divulgação
Protótipo de avião elétrico da Eviation Aircraft Imagem: Divulgação

Mathew Carr e Christopher Jasper

12/11/2018 14h48

(Bloomberg) -- Um avião de passageiros que disputa para se tornar o primeiro modelo totalmente comercial movido a bateria do setor de aviação precisa de cerca de US$ 200 milhões para chegar ao mercado, segundo a produtora Eviation Aircraft.

A empresa israelense planeja colocar no ar um protótipo do design "Alice" no Salão Aeronáutico de Paris, em junho, e começar a construir a primeira versão de produção nos próximos dois anos e meio, disse o CEO Omer Bar-Yohay em entrevista. Cada avião deve ser vendido por cerca de US$ 3 milhões.

Apesar de o avião ser um dos vários modelos elétricos em fase de projeto, sua capacidade para nove passageiros e autonomia de 1.045 quilômetros com uma única recarga podem representar uma vantagem no mercado de transporte regional, atualmente atendido por uma série de aeronaves leves.

Muitos outros aviões propostos são menores, o que reflete o limitante peso das baterias e das células de combustível, e o desenvolvimento de aviões maiores pode levar anos.

Os custos de operação do Alice serão de cerca de US$ 200 por hora de voo, contra US$ 1.000 de um turboélice, o que configura um "argumento comercial convincente", disse Bar-Yohay, acrescentando que já tem "alguns compromissos sólidos" com possíveis operadores. Os recursos existentes devem levar o projeto ao estágio de protótipo "e um pouco além", mas não bancarão por si só a fabricação, disse.

O Alice será mais lento do que alguns aviões convencionais, com velocidade de cruzeiro de 240 nós (444 quilômetros por hora), metade do ritmo dos jatos executivos modernos, mas não muito abaixo de alguns modelos turboélice. A velocidade é suficiente para ir de Boston a Martha's Vineyard em cerca de 20 minutos, contra 2,5 horas de carro.

Baterias de lítio

A autonomia do avião seria inferior à do Cessna Caravan, um modelo turboélice leve de tamanho similar que é popular no mercado de passageiros habituais dos EUA, mas não por muito.

Cerca de 65% do peso do Alice seria atribuído às baterias de íon-lítio fornecidas pela sul-coreana Kokam, que moverão unidades de propulsão elétrica provavelmente oferecidas pela Siemens.

Com sede em Kadima, perto de Tel Aviv, a Eviation foi fundada em 2015 por uma equipe de especialistas em aviação e tecnologia com experiência na startup de sistemas de baterias Phinergy e até nas Forças de Defesa de Israel, instituição na qual Bar-Yohay serviu como major até 2008.

A empresa, que registrou prejuízos acumulados de US$ 68 milhões até 2017, foi financiada até o momento por pequenos investidores e por subsídios do governo de Israel.

Mercado disputado

No momento, diz o CEO, a Eviation está à frente do grupo --mas "não por muito". A consultoria Roland Berger calcula que existem cem programas diferentes de aeronaves elétricas em desenvolvimento em todo o mundo, um aumento de 30% desde 2017.

A Zunum Aero, apoiada pela Boeing e pela JetBlue Airways, pretende levar um modelo híbrido-elétrico de avião de uso regional ao mercado até 2022 e a MagniX Technologies está desenvolvendo um avião movido apenas a bateria com data similar em mente.

Em setembro, a empresa anunciou um teste de solo bem-sucedido de um motor de 350 cavalos ligado à seção do nariz de um equipamento de teste Cessna.