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Google anuncia política para anúncios de olho em eleição na UE

Natalia Drozdiak

22/11/2018 15h02

(Bloomberg) -- O Google anunciou que implementará novas políticas na Europa para oferecer mais transparência em propagandas políticas antes das eleições da União Europeia, que serão realizadas no segundo trimestre do ano que vem.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira pela divisão da Alphabet após um ano de intenso escrutínio global pelo uso de serviços populares de internet para a disseminação de informações enganosas durante eleições. A falta de transparência em relação a quem financia propagandas políticas é um ponto sensível.

Em setembro, Google, Facebook, Twitter e outras empresas de tecnologia e publicidade concordaram em adotar um código de conduta conjunto na Europa, prometendo combater a disseminação on-line de "fake news" na Europa. Como parte do código, Google e Facebook se comprometeram a empregar ferramentas de transparência para propagandas políticas na Europa após um lançamento inicial nos EUA.

Com as eleições para o Parlamento Europeu programadas para maio do ano que vem, as autoridades europeias estão preocupadas com a possibilidade de que campanhas financiadas pelos russos -- principalmente por meio de plataformas de redes sociais -- ampliem o apoio a partidos mais simpáticos a Moscou.

Nesta quinta-feira, o Google informou que passará a exigir que os anunciantes enviem uma solicitação e recebam uma confirmação para poderem comprar propagandas políticas. O Facebook afirmou que está iniciando um processo semelhante na Europa.

"Estamos refletindo bastante a respeito das eleições e de como continuar respaldando processos democráticos em todo o mundo, inclusive levando mais transparência aos anúncios políticos na internet", escreveu Lie Junius, diretor de políticas públicas do Google para a UE, em postagem de blog.

A partir de janeiro, os anunciantes que quiserem exibir propagandas políticas nos serviços do Google precisarão apresentar, por exemplo, um documento de cadastro no partido ou, no caso dos cidadãos, um documento de identidade europeu. Os anúncios aprovados serão acompanhados por avisos legais que informam quem pagou por eles.

O Google anunciou também que publicaria um relatório de transparência da UE, além de uma biblioteca de anúncios pesquisável, para fornecer mais informações a respeito de quem está comprando anúncios eleitorais, por quanto e a quem são direcionados.

A Comissão Europeia -- órgão executivo do bloco -- anunciou que avaliará a implementação de novas medidas de transparência até o fim do ano para decidir se alguma medida legislativa é necessária. Muitas das iniciativas das empresas de tecnologia na Europa só ficarão completamente visíveis a partir do ano que vem, quando começarem as campanhas políticas.

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