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Ano péssimo do óleo de palma não é culpa só dos orangotangos

Anuradha Raghu

23/11/2018 14h36

(Bloomberg) -- O óleo comestível mais consumido do mundo está tendo um ano péssimo em que uma mistura poderosa de fatores está derrubando os preços -- desde a queda dos custos do petróleo até acusações de que a expansão das plantações destruiu habitats de orangotangos.

Os futuros de referência na Malásia tiveram queda de 18 por cento neste ano, semelhante ao declínio anual de 2017, e os preços estão perto dos menores patamares em mais de três anos. Usado para tudo, de chocolates a combustíveis, o óleo de palma provavelmente terminará o ano em 2.000 ringgits por tonelada, segundo uma pesquisa da Bloomberg deste mês. O valor contrasta com o de 2.044 ringgits de sexta-feira.

A seguir, alguns dos fatores que estão derrubando o óleo de palma:

1. Produção, estoques

O aumento da produção e dos estoques e a fraqueza nas exportações pioraram o excedente nos maiores produtores, que são a Indonésia e a Malásia. A demanda simplesmente não tem sido suficiente para absorver o aumento de oferta, disse Ivy Ng, chefe regional para o agronegócio do CIMB Investment Bank em Kuala Lumpur. Os preços precisam ser ainda mais atraentes para atrair compradores da Índia, o maior importador do mundo, disse.

2. Biocombustível

O analista veterano Dorab Mistry, diretor da Godrej International, afirma que a demanda por biodiesel será o fator mais importante para a formação de preços no ano que vem. Os participantes do mercado apostam na ambiciosa ordem da Indonésia para o biodiesel B20, que exige que o combustível convencional seja misturado com 20 por cento de biocombustível de palma para absorver a oferta. A Malásia planeja implementar por etapas a ordem B10, aguardada há algum tempo, no transporte e em outros setores subsidiados, a partir de 1º de dezembro, segundo uma carta enviada pelo Ministério das Indústrias Primárias às empresas do setor de petróleo vista pela Bloomberg News.

3. Guerra comercial

O óleo de palma não escapou das tensões comerciais entre os EUA e a China, cujas tarifas retaliatórias estão sacudindo os mercados agrícolas e transferindo fluxos comerciais especialmente para a soja, que é esmagada para produzir um óleo concorrente. A incerteza gerada pela guerra comercial também tem enervado os investidores, que aguardam para ver como os óleos vegetais serão afetados. Se a tensão continuar e a China tiver dificuldades para substituir a soja americana, os compradores do país poderão recorrer ao óleo de palma, disse Ng, do CIMB.

4. Demanda fraca

A fraca demanda dos principais importadores tem prejudicado as projeções e mantido os compradores cautelosos. Na Índia, o coquetel de tarifas de importação mais altas, rupia fraca e crise de crédito reduziu o apetite pelo óleo de palma.

5. Orangotangos

Outra questão são os orangotangos. A imagem do óleo de palma foi afetada pela onda de publicidade negativa que colocou o óleo tropical como um destruidor de florestas e lares de orangotangos. Como resultado, governos e produtores têm tido dificuldades para melhorar a percepção do público em relação ao óleo de palma e sua viabilidade comercial.

--Com a colaboração de Eko Listiyorini.