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Clã Murdoch aposta que fãs da Fox News seguirão emissora na web

Anousha Sakoui

26/11/2018 12h03

(Bloomberg) -- John Finley, executivo da Fox News, perdeu o bolão do escritório para adivinhar qual seria a popularidade do novo serviço de vídeo on-line da Fox Nation. E para ele está tudo bem.

Durante várias semanas, o grupo de mídia de Rupert Murdoch lançou artigos para colecionar para convencer os fãs a se cadastrarem no serviço: um turbinado complemento de streaming ao canal Fox News para uma audiência que desejava ainda mais comentários conservadores. O pacote mais caro -- que inclui uma assinatura de três anos e um relógio tático de estilo militar -- custa US$ 1.200 e Finley subestimou completamente o apelo da oferta.

"Acreditamos que o fato de tanta gente ter se cadastrado com entusiasmo e dedicado tanto tempo e dinheiro a isso é um sinal muito, muito bom", disse Finley, em entrevista, antes do lançamento, na terça-feira. Ele disse que a adesão foi mais forte do que esperava, mas preferiu não informar os números iniciais de assinantes.

Apesar de ser apenas uma startup, a Fox Nation já faz parte do império de Murdoch em sua nova forma. A família está vendendo grande parte da empresa controladora da Fox News -- a 21st Century Fox -- à Walt Disney por US$ 71 bilhões. Como resultado, a Fox News, incluindo projetos como este, terá muito mais importância para a empresa. E a Fox Nation competirá com um número estonteante de produtos de streaming, mas o fará ao estilo particular da Fox News -- atraindo um público de tendência conservadora que pode se considerar mal atendido por outras redes de mídia.

'Nossos superfãs'

"O plano sempre foi que a Fox Nation atraísse aqueles que consideramos nossos superfãs", disse Finley, que está supervisionando a produção. "A Fox tem esse público bastante dedicado e apaixonado que rivaliza com muitas marcas em todo o mundo. É pensado como um produto complementar voltado aos que realmente querem mais."

A semente da Fox Nation foi plantada em junho de 2017, quando o presidente-executivo do conselho da 21st Century Fox, Lachlan Murdoch, pediu para seus executivos desenvolverem uma versão de streaming do popular canal de notícias a cabo que seu pai, Rupert, lançou em 1996. Ele, que tem 47 anos, será o CEO da nova Fox após a conclusão da transação com a Disney, e o crescimento do website FoxNews.com sugeria que havia apetite por um serviço do tipo.

A Fox planeja cobrar US$ 5,99 por mês, ou US$ 64,99 por ano, pela Fox Nation, que a princípio não terá anúncios. O serviço oferecerá programas de opinião com conteúdo em formatos curtos e longos, como documentários e "especiais patrióticos" que complementarão o canal principal. Parte do conteúdo, como um especial da Fox News em que Sean Hannity entrevista o juiz da Suprema Corte Clarence Thomas, ganhará nova roupagem e será atualizado para o público da internet.

Com a venda de ativos de entretenimento da 21st Century Fox, a marca Fox News responderá por cerca de dois terços dos lucros futuros, segundo Brian Wieser, analista da Pivotal Research Group. Os ramos de esportes e radiodifusão, incluindo a Fox, a emissora principal do grupo, gerarão o restante. A nova empresa terá faturamento anual de cerca de US$ 2,5 bilhões, disse Lachlan Murdoch recentemente.