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Colheita de trigo é raio de esperança para economia argentina

Jonathan Gilbert

27/11/2018 15h53

(Bloomberg) -- Está chegando a artilharia para a batalha do presidente Mauricio Macri para reanimar a economia argentina.

Os produtores de grãos da Argentina devem registrar rendimentos maiores em dezembro graças à colheita recorde de trigo, que trará dólares de exportação e receitas fiscais após um ano tumultuado no qual a moeda despencou e Macri recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os produtores colherão 19,2 milhões de toneladas de trigo nas próximas semanas, 8 por cento mais que no ano passado, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Boa parte do trigo é enviado a moinhos do Brasil.

As exportações de trigo da Argentina somarão cerca de US$ 3 bilhões, e entrarão mais US$ 750 milhões com a cevada, que é comprada pela Arábia Saudita para ração animal, disse Gustavo López, um consultor agrícola independente. Macri precisa dos dólares da produção agrícola e das taxas aplicadas à exportação, de cerca de 10,5 por cento, para reduzir os déficits comercial e orçamentário, indicadores fundamentais para os investidores ainda tensos.

"Os dólares obtidos com o trigo respaldam a Argentina nos meses de verão, e neste ano eles serão especialmente importantes", disse Martín Vauthier, economista da consultoria Eco Go, que tem sede em Buenos Aires. "As entradas de capital sempre ajudam a reduzir o risco-país."

A austeridade fiscal e os juros ultraelevados estão em campo para acalmar o peso, que perdeu cerca de metade do valor neste ano. Mas essa mistura está estrangulando a economia, que deverá encolher mais de 2 por cento. A agricultura, portanto, surge como um raio de esperança para Macri, oferecendo um impulso muito necessário para o produto interno bruto.

Os produtores vêm apostando alto no trigo e na cevada plantados no inverno e no outono depois que a pior seca em décadas prejudicou a produção de soja e milho. A próxima safra reforçará suas finanças, resgatando o ciclo de investimentos sazonais, disse Eugenio Irazuegui, chefe de pesquisa da corretora de grãos Enrique Zeni.

Com o reinvestimento dos lucros na próxima época de plantio de soja e milho, o "impulso agrícola" poderia estimular o retorno a um crescimento modesto em 2019, escreveram economistas do Bradesco liderados por Dalton Gardimam em relatório. Isso melhoraria as perspectivas de reeleição para a coalizão de Macri, reduzindo as preocupações dos investidores em relação a uma reversão de suas políticas favoráveis ao mercado.

Os campos do cinturão de safras de inverno, ao sul das províncias de Buenos Aires e La Pampa, resistiram às geadas, e os rendimentos do trigo aumentarão 13 por cento em relação ao ano anterior, segundo uma turnê agrícola realizada na semana passada pela Bolsa de Cereais e Produtos de Bahía Blanca. Isso compensará os prejuízos da região norte.

"O país precisa dessa safra para evitar um mau resultado", disse Ignacio Philipp, um produtor de Bahía Blanca que cultiva 5.000 hectares. "Quando o agronegócio vai bem, o país vai bem."

--Com a colaboração de Ignacio Olivera Doll.