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Intel corre risco de perder o trono para concorrente de Taiwan

Ian King e Debby Wu

28/11/2018 14h54

(Bloomberg) -- Durante mais de 30 anos, a Intel dominou a fabricação de semicondutores, produzindo o componente mais importante da maioria dos computadores ao redor do mundo. Esse sucesso é ameaçado por uma empresa da qual pouca gente ouviu falar.

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) foi criada em 1987 para produzir chips para companhias sem dinheiro para construir fábricas próprias. Essa abordagem foi ridicularizada na época pelo fundador da Advanced Micro Devices (AMD), Jerry Sanders. "Homens de verdade têm fábricas", ele brincou durante uma conferência.

Ultimamente, quem ridicularizava talvez sinta uma ponta de inveja. As fábricas da TSMC agora desafiam a Intel no topo desse setor que movimenta US$ 400 bilhões. A própria AMD se livrou de fábricas problemáticas há anos e recentemente escolheu a TSMC para produzir seus processadores mais avançados.

A ameaça que a TSMC representa para a Intel reflete uma mudança monumental nesse setor. Diversas empresas contrataram a TSMC para produzir os chips que elas idealizam. Sediada em Hsinchu, a TSMC tem uma clientela enorme que inclui gigantes como Apple e Qualcomm, companhias do segundo escalão, como a AMD, e anãs, como a Ampere Computing. A proliferação de componentes produzidos dessa forma deu à TSMC o know-how técnico necessário para fabricar os maiores volumes possíveis dos menores e mais eficientes e poderosos chips.

A última vez em que a Intel enfrentou concorrência de verdade foi há uma década. A empresa gera 90 por cento da receita com processamento de computadores e novamente terá resultado anual recorde. Mas há quem se preocupe em Wall Street porque a TSMC tem chance verdadeira de tomar o lugar da Intel como a melhor fabricante de chips. No ano passado, o valor de mercado da empresa de Taiwan superou o da rival americana pela primeira vez.

No mundo dos semicondutores, proeza se mede pela largura entre as linhas dos minúsculos circuitos dos chips. A redução dessa largura - medida em nanômetros, que são a bilionésima parte do metro - dá aos designers a possibilidade de fabricar chips que fazem cálculos mais rapidamente, consomem menos energia, armazenam mais dados ou custam menos. Nos processadores mais avançados, que é o segmento no qual a Intel ganha mais dinheiro, paga-se prêmio pelo espaço. Um processador de servidores da linha Xeon concentra bilhões de transistores em uma área do tamanho de um selo postal.

Em 2013, a Intel foi a primeira a usar a tecnologia de 14 nanômetros em grande escala, segundo o Goldman Sachs. A tecnologia de 10 nanômetros não ficará totalmente pronta até o final de 2019 - de longe o maior período de espera da história da companhia. Nesse meio tempo, a TSMC passou de 20 nanômetros para 7 nanômetros.

A vantagem da Intel é a produtividade, ou seja, o número de chips em bom estado produzidos em cada leva. Em fábricas que custam cerca de US$ 7 bilhões e funcionam 24 horas por dia para produzir milhões de chips por mês, qualquer deslize pode causar um desastre financeiro. A Intel ainda não solucionou problemas de fabricação e não migrará para a produção da tecnologia de 10 nanômetros até a fábrica funcionar perfeitamente.A atual sucessora de Sanders na AMD, Lisa Su, não se preocupa com isso porque a empresa vendeu suas fábricas e deixa a produção complexa a cargo da TSMC.

"Foi uma das melhores decisões que tomamos", disse Su. "Isso nos permite administrar risco e focar no que resulta em um ótimo produto."

Repórteres da matéria original: Ian King em São Francisco, ianking@bloomberg.net;Debby Wu em Taipé, dwu278@bloomberg.net