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Ford sai da mira de Trump e GM ocupa seu lugar

Keith Naughton

29/11/2018 13h06

(Bloomberg) -- A Ford Motor e a General Motors precisam reformular sua base industrial nos EUA para enfrentar a drástica mudança dos consumidores dos sedãs para os SUVs. Mas apenas uma deve conseguir realizar o ajuste sem atrair críticas do presidente.

Em uma atualização significativa dos planos para a produção nos EUA, a Ford eliminará turnos em fábricas no país de Trump. Mas planeja manter os 1.150 trabalhadores afetados transferindo-os para fábricas dos estados de Michigan e Kentucky que produzem SUVs grandes ou que fornecem transmissões para picapes. Isso é positivo não só para os funcionários, mas também para as relações da Ford com uma Casa Branca melindrosa.

A GM, por outro lado, está sendo apanhada com uma capacidade excessiva de fabricação de sedãs, considerados foras de moda no país, e, sem muitas escolhas, terá que trilhar o doloroso caminho de fechar fábricas e demitir funcionários. Inevitável ou não, a decisão enfureceu Donald Trump. Ele reiterou a ameaça de aplicar tarifas de 25 por cento às importações de automóveis e encarregou as agências federais de analisar formas de reduzir os subsídios da fabricante de veículos.

"A Ford foi alvo de Trump antes e isso deve ajudá-la a continuar fora da mira", disse Michelle Krebs, analista sênior da empresa de pesquisa Autotrader. A Ford "foi a bola da vez" em 2016, quando Trump criticou os planos de transferir a produção de carros pequenos para o México. A empresa abandonou a estratégia no ano passado e cancelou uma nova fábrica de automóveis que estava construindo lá.

Na primavera (Hemisfério Norte), a Ford eliminará o terceiro turno de uma fábrica de Louisville, Kentucky, que produz os SUVs Escape e Lincoln MKC, que vendem menos. Os 500 trabalhadores afetados serão transferidos para outra fábrica da Ford na cidade para ampliar a produção do Lincoln Navigator, que está em voga, e do Ford Expedition, disse a porta-voz Kelli Felker em entrevista. As vendas do Expedition no varejo subiram 36 por cento neste ano e as do Navigator avançaram mais de 80 por cento.

Em Flat Rock, Michigan, a Ford está reduzindo para um turno o trabalho na fábrica que produz o muscle car Mustang e o sedã Lincoln Continental. Cerca de 500 trabalhadores da unidade serão transferidos para uma fábrica em Livonia, Michigan, que produz transmissões para as picapes F-150 e Ranger, disse Felker. Outros 150 receberão ofertas para trabalhar em outras instalações da Ford.

"Algumas pessoas podem ter algum tempo de inatividade, dependendo de onde estão e para onde vão", disse Felker. Mas esses períodos de transição durarão apenas algumas semanas e os trabalhadores receberão 75 por cento do salário líquido no período, disse.

O impacto é muito menor que o da GM, que anunciou no começo da semana que fecharia fábricas nos estados de Michigan, Ohio, Maryland e Ontário no ano que vem. A empresa juntou a notícia com o corte de funcionários assalariados, eliminando mais de 14.000 empregos.