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Busca é 'pesadelo de olhos abertos' para bônus no Deutsche Bank

Sonali Basak

30/11/2018 13h06

(Bloomberg) -- Chegou aquela época do ano em que os executivos bancários de Wall Street voltam suas atenções para os bônus. Mas no Deutsche Bank eles enfrentam mais uma vez a perspectiva de ver parte do pagamento ser varrida por um escândalo.

Na quinta-feira (29), em escritórios da empresa em todo o mundo, os funcionários viram as luzes dos carros da polícia pelas janelas e na TV enquanto 170 policiais realizavam uma busca na sede do banco e em outros endereços sob o céu nublado da Alemanha em busca de evidências de lavagem de dinheiro. Esse tipo de notícia tende a cair particularmente mal entre os funcionários do banco com sede em Frankfurt.

O Deutsche Bank reduziu os bônus anuais de 2016 em cerca de 80% devido aos custos crescentes dos problemas legais. Para impedir a fuga de talentos importantes, a empresa separou mais de 1,1 bilhão de euros (US$ 1,3 bilhão) em prêmios de retenção a cerca de 5.500 funcionários no ano passado.

Mas os pagamentos levam até seis anos para serem recebidos e a metade é paga na forma de ações que serão retidas se os papéis não atingirem uma meta não revelada.

As ações do Deutsche Bank atingiram uma mínima recorde neste mês e caíram novamente após a busca de quinta-feira. Funcionários importantes agora veem um preço de ação que representa menos da metade do nível exigido para pagamento integral, segundo pessoas a par do assunto.

"Eles estão naquele tipo de situação que parece um pesadelo com os olhos abertos", disse Jason Kennedy, CEO da agência de recrutamento Kennedy Group. "Eles estão vendo o dinheiro deles cair continuamente."

Os líderes do banco afirmaram anteriormente que pagarão valores competitivos pelo desempenho neste ano e ao mesmo tempo controlarão outras despesas. Essa continua sendo a intenção, segundo uma pessoa informada sobre o planejamento da empresa, que pediu para não ser identificada por discutir deliberações privadas.

Mesmo que os bônus sejam transferidos, os executivos bancários europeus tendem a receber salários-base mais altos que os de seus pares do exterior devido a regras de remuneração que visam a reduzir a tomada de risco.

Ainda assim, quando um veterano do Deutsche Bank em Nova York foi indagado sobre a busca policial de quinta-feira, lembrou imediatamente do bônus, demonstrando preocupação com a possibilidade de o pagamento de fim de ano cair novamente. Do outro lado do Atlântico, um executivo de Londres lamentou o ataque e seus reflexos na remuneração para um ex-colega.

O CEO Christian Sewing, que assumiu o comando em abril, tenta tirar o maior banco da Alemanha dessa era de grandes escândalos que fizeram desaparecer anos de lucros, minaram o capital do banco, eliminaram empregos e provocaram deserções. O banco começou a retornar aos níveis de bônus do passado no início do ano. No entanto, continuam surgindo novos problemas legais.

No começo do mês, o Deutsche Bank ganhou manchetes por supostas ligações com um escândalo de dinheiro sujo no Danske Bank. A busca desta semana foi desencadeada por acusações de que o banco não reportou evidências de lavagem de dinheiro contidas em um lote de documentos vazados para a imprensa em 2016, conhecido como Panama Papers. O Deutsche Bank informou que está cooperando com as autoridades nessa investigação.

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