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Oposição a minas diminui no segundo maior produtor de cobre

Laura Millan Lombrana e John Quigley

12/12/2018 15h17

(Bloomberg) -- Os eleitores do segundo maior produtor mundial de cobre e zinco minerados tiraram do poder alguns adversários ferozes das grandes minas, dando início a uma mudança que pode atrair investimentos para algumas das regiões mais pobres do Peru.

Os cidadãos de Cajamarca, a região mais pobre do país sul-americano, elegeram o candidato pró-investimentos Mesías Guevara, encerrando o comando do movimento antimineração que governou a região nos últimos oito anos. Em Moquegua, onde a Anglo American está construindo o projeto de cobre Quellaveco, de US$ 5,3 bilhões, e em Apurimac, onde a MMG opera a mina Las Bambas, os candidatos vencedores não manifestaram oposição à mineração.

Os governadores não podem vetar diretamente projetos de mineração, mas seu apoio é fundamental para conseguir a aprovação das comunidades locais. No passado, líderes regionais como o ex-governador de Cajamarca Gregorio Santos marcharam ao lado de grupos opositores dos projetos. Planos de desenvolvimento de bilhões de dólares foram paralisados em várias regiões devido à oposição local.

"Desta vez, não vimos a forte tensão que era comum nas eleições anteriores -- o debate em torno de questões ligadas à mineração foi moderado", disse Pablo de la Flor, diretor-executivo da associação de mineração, petróleo e energia do Peru, a SNMPE. "Ainda temos visto alguns candidatos com opiniões mais críticas, especialmente nas regiões onde há mineração, mas achamos que isso faz parte das tensões que surgem em toda campanha."

O presidente Martín Vizcarra, um ex-governador regional, pretende ampliar gradualmente o investimento anual em mineração para US$ 8 bilhões quando seu mandato terminar, em 2021, contra uma projeção de US$ 4,6 bilhões para este ano. Apesar de o investimento em mineração no Peru, uma economia dependente do cobre, ter aumentado 27 por cento neste ano até outubro, o país pode registrar mais entradas de recursos com a mudança de sentimento. Cajamarca poderia atrair até US$ 18,2 bilhões em investimentos em novos projetos, segundo o Ministério de Minas e Energia. A região respondeu por 7 por cento do investimento total em mineração nos 10 primeiros meses do ano.

Há condições para um aumento dos investimentos na mineração no Peru e não há motivos para que Cajamarca não desenvolva novos projetos se as comunidades locais os apoiarem, disse o parlamentar Miguel Román, que preside o comitê de energia e mineração no Congresso. As empresas de mineração que mostram respeito pelo meio ambiente devem ser bem recebidas, disse.

"Antes havia uma rejeição total até mesmo à avaliação dos projetos, mas agora acho que eles podem acontecer", disse.

Román é membro do partido Ação Popular, que governará Cajamarca, duas outras regiões e a capital, Lima, pelos próximos quatro anos. O governo nacional precisa trabalhar com as comunidades de áreas com potencial para mineração e aplacar as preocupações a respeito do impacto ambiental de projetos futuros para reduzir o risco de conflitos sociais no futuro, disse.

"Está muito claro para nós que o investimento privado é o motor que deve impulsionar o desenvolvimento econômico do nosso povo", disse Ramón.

Repórteres da matéria original: Laura Millan Lombrana em Santiago, lmillan4@bloomberg.net;John Quigley em Lima, jquigley8@bloomberg.net