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Bancos centrais da Europa à China temem perspectiva para 2019

Fergal O'Brien

14/12/2018 16h03

(Bloomberg) -- As preocupações de bancos centrais do mundo inteiro para 2019 ficaram evidentes na quinta-feira, quando muitos alertaram que a economia global pode estar entrando em um período de maior incerteza.

O Banco Central Europeu declarou que os riscos ao crescimento aumentaram, embora tenha suspendido seu principal programa de estímulo. Na Suíça e Noruega, autoridades citaram ameaças capazes de causar estrago considerável. Já o comandante do banco central chinês admitiu que a economia enfrenta obstáculos.

Os alertas chegam uma semana antes de o Federal Reserve dos EUA anunciar a próxima decisão de política monetária. Aparentemente, o quadro está sendo reavaliado. O presidente do Fed, Jerome Powell, sugeriu que a trajetória de elevações de juros não será tão agressiva quanto se pensava. Também se discute até que ponto a economia americana pode estar perto de cair em recessão. Na quinta, a Pimco afirmou que os riscos fazem "piscar a luz laranja".

O avanço do protecionismo, a turbulência em países emergentes, problemas orçamentários na Itália e o Brexit já prejudicaram confiança, demanda e crescimento econômico em diferentes medidas. E não há muita esperança de alívio em 2019. Dificilmente a expansão global ficará paralisada, mas quase certamente chegará uma fase de maior lentidão.

Na China, dados recentes mostraram que a economia perdeu velocidade outra vez em novembro. O crescimento da produção industrial diminuiu e o desempenho das vendas no varejo foi o pior desde 2003.

A boa notícia é que, mesmo após uma década de dinheiro fácil, autoridades como Powell e o presidente do BCE, Mario Draghi, ainda sinalizam postura flexível para o ano que vem.Em Frankfurt na quinta-feira, Draghi afirmou que o pano de fundo global é "caracterizado por maior incerteza generalizada". Ele causou a desvalorização do euro ao declarar que o "balanço de riscos está migrando para pior".

"Estamos vendo políticas públicas que dificultam a continuidade do crescimento ? seja para o déficit nos EUA ou guerras comerciais", explicou Jack Lew, que foi secretário do Tesouro americano durante o governo Barack Obama. "Há muita incerteza e ruptura em uma economia que já está no final do ciclo."

Também na quinta, o comandante do Banco Popular da China, Yi Gang, avisou que o crescimento sofre maior pressão de baixa e que a política monetária continuará dando suporte. Ele reconheceu que o relacionamento com os EUA mudou e acrescentou que o Federal Reserve "está mais imprevisível quanto ao ciclo de aumento de juros do que estava vários meses atrás".

Na reunião do Norges Bank nesta semana, autoridades norueguesas focaram "particularmente nas perspectivas para a economia global" e mencionaram "persistentes conflitos comerciais e turbulência em torno de processos políticos na Europa."

Um desses processos ? a saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit ? deixou o Banco da Inglaterra refém. O comandante da instituição, Mark Carney, subiu a taxa básica de juros duas vezes desde o final de 2017, mas a próxima decisão é incerta, dado que os britânicos brigam entre si sobre o acordo para se divorciar do bloco. Até haver uma solução, as autoridades monetárias aguardam.

Para muitos bancos centrais, a economia doméstica traz aspectos positivos: desemprego baixo sustentando a demanda e custos de captação atraentes que incentivam investimentos. A queda recente do preço do petróleo ? que o presidente americano, Donald Trump, descreveu como equivalente a um corte de imposto ? também gera alívio. Porém, as autoridades não podem ignorar as ameaças indefinidamente.

"A economia pode suportar um período curto de grande incerteza sobre políticas públicas e volatilidade nos mercados", afirmou Ethan Harris, economista-chefe global do Bank of America, em relatório enviado a clientes nesta semana. "Mas paciência tem limite."

--Com a colaboração de Manus Cranny.