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Glaxo mira cisão após acordo com Pfizer que combina analgésicos

James Paton

19/12/2018 11h41

(Bloomberg) -- A GlaxoSmithKline preparou o caminho para ser dividida em duas empresas ao fechar acordo para criar com a Pfizer uma joint venture de medicamentos de venda livre que as gigantes do setor farmacêutico planejam listar no mercado de ações.

A Glaxo terá uma participação controladora de 68 por cento na nova entidade, que somará US$ 12,7 bilhões em vendas. As ações da farmacêutica britânica tiveram maior ganho em uma década em Londres. A Glaxo mira a venda de ações da nova empresa em três anos.

A transação cria a maior fornecedora mundial de medicamentos sem receita, englobando marcas de analgésicos como Advil e Panadol, e representa uma mudança na estratégia anteriormente divulgada pela CEO da Glaxo, Emma Walmsley, de manter os negócios de medicamentos sem receita e vacinas, que têm desempenho estável, sob o mesmo teto de operações farmacêuticas mais voláteis.

Os benefícios da cisão em duas empresas -- uma voltada aos remédios com receita, outra aos medicamentos de venda livre -- superam as vantagens de uma estrutura mais diversificada, disse Walmsley a jornalistas, em teleconferência.

A Glaxo, a Pfizer e outras empresas lidam com os crescentes custos de pesquisa para desenvolvimento de novos medicamentos apesar de seguradoras e governos exigirem preços mais baixos pelo produto acabado. A cisão ajudará a concentrar recursos em empresas separadas com necessidades diferentes.

'Pequena demais'

O acordo ajudará a "respaldar nossa maior prioridade, que é fortalecer o negócio farmacêutico", disse Walmsley. Quando a divisão ocorrer, "poderemos redefinir o balanço de duas empresas focadas com as estruturas de capital apropriadas".

No negócio de venda de medicamentos sem receita, em que as marcas e o peso são fundamentais, a Pfizer, que tem sede em Nova York, apostou que não era grande o suficiente sozinha. Uma tentativa anterior de vender a divisão de medicamentos sem receita fracassou quando possíveis compradores abandonaram o processo de licitação.

"A Pfizer percebeu que era pequena demais e que enfrentava uma concorrência cada vez mais acirrada", disse Timo Kuerschner, analista do Landesbank Baden-Wuerttemberg.

Isso pode ser um prenúncio do futuro do mercado de medicamentos sem receita, considerando que as concorrentes avaliam como reagir à criação de uma líder no campo, segundo Kuerschner. Entre as demais fabricantes de medicamentos com divisões integradas de medicamentos sem receita estão Johnson & Johnson, Bayer e Sanofi. Em outra mudança do setor, a General Electric apresentou confidencialmente pedido para realizar uma oferta pública inicial de sua unidade de saúde, segundo pessoas informadas sobre o assunto.

O negócio da Glaxo surge após a empresa pagar US$ 13 bilhões neste ano pela participação da Novartis em uma joint venture de medicamentos sem receita. A Glaxo informou nesta quarta-feira que espera uma economia de custo anual de 500 milhões de libras (US$ 633 milhões) em 2022 e que até um quarto desse dinheiro seria reaproveitado para buscar novas oportunidades de crescimento.

A empresa ampliada que se formará a partir do acordo com a Pfizer operará com o nome GSK Consumer Healthcare e o atual CEO da unidade da Glaxo, Brian McNamara, e o diretor financeiro, Tobias Hestler, assumirão as mesmas funções na joint venture. A transação deve ser concluída no segundo semestre de 2019. A Pfizer informou que, depois disso, pretende separar sua participação no negócio, o que pode ampliar suas margens operacionais.

--Com a colaboração de Naomi Kresge e Thomas Buckley.

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