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Receio com Huawei e ZTE dá impulso à rede 5G da Samsung

Niclas Rolander e Sam Kim

19/12/2018 13h00

(Bloomberg) -- A Samsung Electronics está fazendo uma nova tentativa de conquistar o mercado de infraestrutura de rede sem fio. Desta vez, a gigante de eletrônicos sul-coreana pode ter escolhido o momento certo.

O crescente receio na Europa e em outros lugares de permitir que as companhias chinesas ZTE e Huawei Technologies forneçam componentes vitais para as redes celulares de quinta geração coincidiu com a ambição da Samsung de conquistar 20 por cento do mercado global até 2020. Nos EUA, de onde as fornecedoras chinesas já foram banidas, a Samsung fechou negócio para fornecer equipamentos 5G com três das quatro principais operadoras.

"Sem dúvida, há receios que estão se espalhando para além dos mercados dos EUA em áreas onde essas fornecedoras podem ter maior participação ou conquistar mais clientes com grandes operadoras", disse Alok Shah, vice-presidente de estratégia de redes da Samsung, em entrevista por telefone, referindo-se às concorrentes chinesas da companhia.

A rede 5G é uma das várias tecnologias novas que foram destacadas pelo conglomerado em agosto como destino de 25 trilhões de wons (US$ 22 bilhões) em investimentos. Essa tecnologia representa um novo caminho para o crescimento em um momento que as vendas de smartphones da Samsung continuam diminuindo, a lucrativa unidade de semicondutores dá sinais de desaceleração e a concorrência chinesa no mercado de telas fica mais acirrada.

Chips e smartphones

A empresa sul-coreana, líder mundial em chips de memória e smartphones, acredita que um argumento de vendas fundamental é sua cadeia de produção mais integrada e fortemente policiada, que reduz a dependência de fornecedores externos e aumenta a segurança geral de sua oferta. Assim como a Huawei, a Samsung está disputando um lugar na mesa enquanto o 5G é lançado em todo o mundo, porque essa tecnologia estará na base da internet móvel e de uma infinidade de aparelhos, de eletrodomésticos a carros.

Depois que uma década de consolidação reduziu o número de grandes fornecedoras de equipamentos sem fio, as operadoras em países que fecharam as portas para companhias chinesas poderiam enfrentar uma situação semelhante à dos EUA, podendo recorrer apenas a duas grandes fornecedoras - a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia - e a uma desafiante - a Samsung.

"Há pouquíssimas opções de fornecedoras de redes de acesso por rádio em larga escala no mercado dos EUA, então com certeza as operadoras estão procurando opções", disse Shah. "Elas buscam competitividade e empresas que lhes ofereçam inovações."

O objetivo imediato da Samsung é garantir acordos iniciais em países como EUA, Japão e Coreia do Sul, onde o serviço 5G é iminente, de acordo com um esboço de sua estratégia que foi divulgado em junho. A empresa se orgulha de ter na Europa o maior número de patentes registradas no European Telecommunications Standards Institute, expressando confiança em ser uma parte importante da disseminação global da tecnologia 5G.

"Para nós, o próximo ano vai se resumir à execução", disse Shah. "Temos que provar que nossos clientes tomaram a decisão certa ao firmar compromissos conosco. Vamos ver como tudo acontecerá, mas sentimos que várias tendências estão se alinhando a nosso favor agora."

Repórteres da matéria original: Niclas Rolander em Stockholm, nrolander@bloomberg.net;Sam Kim em Seul, skim609@bloomberg.net