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Pioneira de bicicletas compartilhadas chinesa pensou em falência

Bloomberg News

20/12/2018 15h51

(Bloomberg) -- A Ofo, pioneira do boom do compartilhamento de bicicletas na China, pensou em jogar a toalha e entrar com pedido de recuperação judicial, no que teria sido o maior fracasso de uma startup do país em anos.

O CEO Dai Wei apresentou os desafios da empresa em uma veemente carta aos funcionários enviada na quarta-feira, onde menciona desde clientes que buscam reembolsos de depósitos até fornecedores que querem receber contas ainda não pagas. Embora o jovem de 28 anos tenha considerado a possibilidade de um pedido de recuperação judicial depois de interpretar mal o ambiente do mercado, na carta ele sugere que essa medida já não é mais uma opção.

A comovente carta de Dai encerrou um ano horrível para uma startup que era o exemplo perfeito da potência do cenário de tecnologia da China e que arrecadou mais de US$ 2 bilhões em financiamento de investidores. Apoiada por algumas das maiores gigantes da tecnologia do país, da Alibaba Group Holding à Didi Chuxing, a Ofo ajudou a impulsionar uma tendência de compartilhamento de bicicletas sem bases de Pequim a Paris. A empresa fundada há quatro anos, que, segundo se dizia, buscava uma avaliação de US$ 3 bilhões em seu melhor momento, chegou a processar mais de 25 milhões de viagens de bicicleta por dia e planejava cobrir capitais do mundo, de Londres a Moscou.

Mas a empresa também chegou a simbolizar os excessos do setor. Juntamente com a arquirrival Mobike, as bicicletas amarelo-canário da Ofo se amontoaram em ferros-velhos em toda a China porque dezenas de competidores entraram na briga, gerando uma guerra de preços e um excesso de oferta que acabaram com quase todos os operadores.

"No último semestre, graças ao fluxo de caixa e às pressões da imprensa, nós nos esforçamos sem recompensa. Isso aconteceu porque a empresa não conseguiu levantar mais fundos", disse Dai em memorando compartilhado por um representante da empresa. "Eu avaliei, inúmeras vezes, usar todo o nosso capital operacional para reembolsar clientes e fornecedores, até mesmo desmembrar a empresa e entrar com pedido de recuperação judicial. Assim, ninguém teria que suportar esse fardo enorme."

Processo

Dai não explicou como a Ofo julgou mal o mercado, mas a empresa disse que pretende se retirar de várias cidades no exterior. Grandes descontos e a necessidade de saturar as grandes cidades com bicicletas disponíveis custaram caro: no auge do boom do compartilhamento de bicicletas, a fabricante local Shanghai Phoenix divulgou um acordo para fornecer à Ofo pelo menos 5 milhões de bicicletas.

A mesma companhia disse em setembro que estava processando a Ofo por contas não pagas por um valor de 68 milhões de yuans. Muito antes disso, observadores apontaram falhas no modelo do setor, além dos descontos insustentáveis. As bicicletas costumam ser alvos fáceis de ladrões e vândalos e necessitam de muitíssima mão de obra em manutenção e redistribuição.

Por enquanto, a Ofo pretende seguir em frente. Em seu breve memorando, Dai exortou os funcionários a atacarem os problemas da empresa de frente, ao mesmo tempo em que admitia a imensa pressão que a startup está sofrendo.

"Sempre que penso em desistir, vejo clientes da Ofo passando na rua, a caminho do trabalho ou usando as nossas pequenas bicicletas amarelas", escreveu ele. "Então eu digo a mim mesmo, e eu quero dizer a cada um de vocês da Ofo, que onde há vida, há esperança."

To contact Bloomberg News staff for this story: Gao Yuan em Pequim, ygao199@bloomberg.net