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Argentina mira investir US$ 500 mi em exploração de mineração

Jonathan Gilbert e Laura Millan Lombrana

21/12/2018 15h24

(Bloomberg) -- A Argentina busca quase duplicar os investimentos em mineração, com lítio à frente, em meio à briga por uma posição no fornecimento de um material necessário para a revolução dos veículos elétricos.

As mineradoras do país já estão investindo cerca de US$ 270 milhões por ano em exploração de metais incluindo ouro e cobre. O governo trabalha para incentivar investimentos de até US$ 500 milhões, disse a secretária de Mineração, Carolina Sánchez, e o subsecretário de Desenvolvimento da Mineração, Mariano Lamothe, em entrevista.

"A Argentina é a maior receptora de investimentos em exploração de lítio do mundo", disse Lamothe, em Buenos Aires. "Mas claramente continuamos muito longe dos níveis que desejamos."

A Argentina -- onde o lítio é extraído da salmoura de salinas andinas localizadas em altitudes elevadas -- está despontando como concorrente do Chile, país vizinho onde a mineração está mais consolidada. O motivo é que está difícil conseguir as licenças de operação porque a exploração do mineral, considerado um recurso estratégico pelo governo chileno, requer autorizações especiais, inclusive da comissão de energia nuclear.

Dois projetos estão em plena produção na Argentina, já que a australiana Orocobre se juntou à empresa atualmente conhecida como Livent em 2015. Outros 60 projetos estão em diferentes estágios de desenvolvimento, cinco deles perto de entrar em operação, segundo análise da empresa Economist Intelligence Unit.

Atração de investidores

Sánchez, que assumiu o comando da política de mineração em julho, espera que os esforços para aumentar a transparência, agilizar os procedimentos de concessão de licenças e melhorar a competitividade por meio de acordos com sindicatos ajudarão a levar mais investidores para a Argentina. O entrave é a crise financeira e econômica, que gerou uma inflação desenfreada, a segunda recessão em três anos e o retorno dos impostos de exportação, medida que afeta diretamente os produtores de commodities.

Outro obstáculo para a incipiente expansão da exploração do lítio na Argentina pode ser a queda dos preços devido ao aumento da oferta. As ações das empresas ligadas ao lítio caíram depois que a Orocobre sinalizou preços mais baixos no último trimestre, de cerca de US$ 10.800 por tonelada de carbonato de lítio, contra US$ 12.470 no começo do ano. Uma porta-voz da Secretaria de Mineração preferiu não comentar como os preços mais baixos afetariam as metas do governo.

Outros destaques da entrevista:

O governo federal continua apoiando iniciativas para a exploração da mina de prata Navidad, de US$ 1,2 bilhão, na província de Chubut, e espera fazer anúncios sobre projetos de cobre no ano que vem.

A fusão da Barrick Gold com a Randgold Resources pode dar vida nova ao projeto Pascua-Lama, mas a empresa não comunicou nada a respeito.

O governo está tentando aproveitar o potencial do cobre na província de Mendoza.

"Há grandes empresas de exploração muito interessadas, mas precisamos resolver questões regulatórias, como a proibição a produtos químicos", disse Lamothe.

O governo quer desenvolver a cadeia de lítio, mas a Argentina precisa primeiro se consolidar como fornecedora confiável de carbonato e hidróxido.

Repórteres da matéria original: Jonathan Gilbert em Buenos Aires, jgilbert63@bloomberg.net;Laura Millan Lombrana em Santiago, lmillan4@bloomberg.net