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Guerra comercial aumenta negócios antes da efetivação de tarifas

Shawn Donnan

27/12/2018 13h06

(Bloomberg) -- Alguns dias antes do Natal, o SM Shanghai navegava na direção do Porto de Long Beach, na Califórnia. Logo à frente, encerrando uma viagem de 11 dias iniciada na China, o Ever Lucent se aproximava do Porto de Los Angeles, onde o Thomas Jefferson se preparava para pegar a trajetória inversa, até Xiamen.

A economia global progredia bem em uma das rotas marítimas mais agitadas do planeta, apesar das guerras comerciais.

O ataque do presidente americano, Donald Trump, teve efeito paradoxal sobre os fluxos do comércio internacional. A corrida para se adiantar a novas tarifas ou tarifas maiores, especialmente nas importações de produtos chineses pelos EUA, incentivou varejistas e outras empresas americanas a aumentar encomendas, o que elevou os volumes movimentados nos portos do país.

"Os galpões e centros de distribuição estão lotados no sul da Califórnia", disse Phillip Sanfield, porta-voz do Porto de Los Angeles. "Estamos enfrentando algumas questões logísticas nos portos de San Pedro porque há carga demais."

Dezembro agitado

O tráfego no Porto de Long Beach aumentou 7,3 por cento no ano até novembro e deve superar o recorde de 7,5 milhões de contêineres atingido em 2018.

Apesar dos esforços de Trump para conter o apetite dos americanos por produtos estrangeiros, os EUA importaram mais do que nunca em outubro, segundo os últimos dados disponibilizados pelo Departamento de Comércio. Já as exportações americanas se mantiveram próximas do recorde mensal alcançado em maio.

Em setembro, a Organização Mundial do Comércio estimou que o crescimento do comércio global neste ano diminuiria em 0,8 ponto percentual para 3,9 por cento. Ainda assim, o avanço é significativo em termos históricos, já que em 2016, o acréscimo foi de apenas 1,8 por cento.

Mas a narrativa do comércio global em 2018 tem detalhes preocupantes e alertas para o futuro.

Os volumes recordes nos portos da Costa Oeste refletem pelo menos uma tendência indesejável para Trump: até agora, a guerra comercial que ele deflagrou fez mais para reduzir as exportações americanas para a China do que para diminuir as importações de produtos chineses pelos EUA.

No Porto de Long Beach, houve um salto no total de contêineres que voltam vazios para a Ásia. Só em novembro, foram mais de 186.000 contêineres vazios que saíram daquele porto nessa rota, 11 por cento a mais do que no ano passado.

Enquanto varejistas americanas aceleraram as compras de produtos chineses para evitar tarifas no futuro, "do outro lado do oceano se vê o efeito oposto", disse Mario Cordero, diretor executivo do porto. "As empresas chinesas já estão de olho em outros países para obter bens e matérias-primas, o que significa menos demanda pelas exportações americanas e mais contêineres vazios."

Trump e o líder chinês Xi Jinping acertaram uma trégua em 1º de dezembro, levando a Casa Branca a adiar por 90 dias o aumento de tarifas sobre US$ 200 bilhões em importações anuais da China. O acordo prevê negociações em janeiro e as tarifas foram adiadas pelo menos até 1º de março.

Uma delegação americana viajará para a China na semana que começa em 7 de janeiro, segundo duas pessoas a par do assunto.