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Plano do FMI estabiliza peso e febre do dólar baixa na Argentina

Patrick Gillespie

28/12/2018 19h16

(Bloomberg) -- Quando a economia está em queda na Argentina, as pessoas sabem exatamente o que fazer: comprar dólares.

A Argentina confia tanto no dólar que o Federal Reserve, banco central dos EUA, classifica o país como um dos dois principais destinos, junto com a Rússia, das remessas de cédulas de dólar. De fato, os argentinos costumam poupar nessa moeda estrangeira e guardam suas economias em contas bancárias e cofres. Quando casas são colocadas à venda, os preços são estipulados em dólares, não em pesos.

No entanto, em novembro, pela primeira vez em quase cinco anos, os argentinos venderam mais dólares do que compraram, desfazendo uma tendência que teria transformado 2018 em um ano recorde para a compra da moeda dos EUA. A reversão ocorreu quando o governo conseguiu estabilizar o peso e refrear as expectativas de inflação com o apoio de um resgate recorde do Fundo Monetário Internacional, no valor de US$ 56 bilhões.

"A estabilização do peso depois de meses de depreciação contínua foi um alívio para os argentinos, que agora estão mais dispostos a economizar na moeda local", disse Thomaz Favaro, diretor da consultoria Control Risks.

As vendas líquidas de dólares chegaram a US$ 107 milhões no mês passado, uma incipiente reversão da tendência após compras líquidas de quase US$ 18 bilhões neste ano, de acordo com dados do banco central publicados recentemente. A desconfiança na moeda local continua fortemente arraigada - os argentinos guardam cerca de US$ 29 bilhões nos bancos e uma quantia desconhecida, muitas vezes comprada no mercado paralelo, em casa.

Apesar da estabilização, o peso perdeu mais de 50 por cento de seu valor até agora neste ano. A hemorragia só estancou em outubro, depois que o banco central implementou uma faixa de flutuação cambial e congelou a quantidade de moeda local em circulação.

A política monetária rigorosa, destinada a esfriar a inflação, pode empurrar a segunda maior economia da América do Sul para uma recessão. Mas, por enquanto, os argentinos parecem inclinados a guardar pelo menos parte de suas economias em pesos, a fim de aproveitar a elevada taxa de juros de 48 por cento paga pelos bancos.

--Com a colaboração de Ignacio Olivera Doll.