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Miami quer atrair ricos que fogem dos impostos de Nova York

Jonathan Levin

11/01/2019 16h00

(Bloomberg) -- Antigamente, Daniel de la Vega, executivo imobiliário da Flórida, e sua equipe viajavam pela América Latina cortejando clientes. Hoje em dia, ele está fazendo voos domésticos -- anunciando os benefícios tributários de seu estado em lugares como Manhattan e Long Island.

Um ano após a aprovação de uma lei que impôs um teto às deduções de impostos estaduais e municipais -- afetando mais duramente os proprietários de imóveis em lugares como Nova York, Nova Jersey e Connecticut, onde os impostos estaduais sobre renda e imóveis estão entre os mais altos --, corretores de estados americanos nos quais o imposto de renda é baixo ou inexistente, como a Flórida, estão correndo para divulgar as enormes economias oferecidas em seus mercados, principalmente para os que mais ganham.

"Nós dobramos a aposta no nordeste dos EUA por causa dos incentivos fiscais", disse De la Vega, presidente da ONE Sotheby's International Realty em Miami, que vende imóveis caros, como a mansão Aventura do produtor discográfico DJ Khaled, agora à venda por US$ 8 milhões (inclui candelabros de ouro de 14 quilates).

A lei tributária limita as deduções de impostos estaduais e locais, incluindo o imposto sobre imóveis, a US$ 10.000. De acordo com as novas regras, um nova-iorquino com renda de US$ 10 milhões e uma casa de US$ 10 milhões teria economizado US$ 1.173.278 em impostos totais se tivesse se mudado para a Flórida em 1º de janeiro de 2018, quando a lei entrou em vigor. Isso representa um aumento de US$ 431.682, ou 58 por cento, em relação a 2017, de acordo com o Tax Institute da H&R Block.

Mesmo por essa quantidade de dinheiro, não se sabe quanta gente trocaria os centros de finanças e tecnologia pela ensolarada Flórida, nem se essas mudanças conseguiriam substituir os brasileiros, venezuelanos e argentinos ricos cujo poder de compra diminuiu por causa da desvalorização cambial e das crises econômicas. Em 2010 e 2011, o real subiu para quase R$ 1,50 em relação ao dólar. Agora, caiu para cerca de R$ 3,70 por dólar.

Os corretores do sul da Flórida não ficaram de braços cruzados.

Em um evento de outubro realizado no complexo de escritórios Omni, em Long Island, a empresa de De la Vega ofereceu aos clientes franks en croûte, croquetes de batata com trufas brancas e open bar -- e uma apresentação sobre as vantagens tributárias de se mudar para a Flórida. De la Vega disse que também está dobrando a publicidade digital na região Nordeste. Ele disse que todas as corretoras do sul da Flórida estão cortejando ativamente potenciais migrantes fiscais ou planejando fazê-lo.

Jay Phillip Parker, CEO das operações na Flórida da Douglas Elliman Real Estate, realizou seu próprio evento relacionado a impostos em Long Island, em abril, chamado "Destination Florida". Mesmo não sendo o fator principal, ele disse que a reforma tributária foi um "gatilho" para muitos norte-americanos ricos considerarem a possibilidade de mudar para a Flórida.

"Se você está mirando um indivíduo com uma riqueza líquida extremamente grande ou um funcionário com uma renda muito alta, se eles puderem fazer a mudança, existem benefícios reais", disse ele.

--Com a colaboração de Ben Steverman.

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