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Acadêmicos estudam criação de criptomoeda para melhorar bitcoin

Alastair Marsh

17/01/2019 16h16

(Bloomberg) -- Algumas das mentes mais brilhantes dos EUA estão combinando sua capacidade cerebral para criar uma criptomoeda que faça o que o bitcoin foi incapaz de fazer: processar milhares de transações por segundo.

Professores de sete universidades americanas, incluindo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a Universidade de Stanford e a Universidade da Califórnia em Berkeley, uniram forças para criar uma moeda digital que consiga atingir velocidades com as quais os usuários do bitcoin só podem sonhar, mas sem comprometer o princípio básico da descentralização. A Unit-e, como a moeda virtual é chamada, é a primeira iniciativa da Distributed Technology Research, uma fundação sem fins lucrativos formada pelos acadêmicos com apoio do fundo de hedge Pantera Capital Management para desenvolver tecnologias descentralizadas.

O bitcoin é a criptomoeda original e a primeira rede de pagamentos a permitir que as partes efetuem transações diretamente, sem a necessidade de confiar umas nas outras, nem a dependência de uma autoridade central. No entanto, apesar de ter construído uma base de seguidores entre desenvolvedores, anarquistas e especuladores, a adoção popular continua difícil de alcançar.

Isto se deve em grande parte ao design, já que as restrições embutidas limitaram seu desempenho e capacidade de ganhar escala, e, como resultado, reduziram sua utilidade como unidade de pagamentos para o cotidiano, afirmou a DTR em um trabalho de pesquisa. Os acadêmicos estão desenvolvendo uma moeda virtual que, segundo sua expectativa, poderá processar transações mais rapidamente até do que a Visa.

"O público em geral é consciente de que essas redes não podem ganhar escala", disse Joey Krug, codiretor de investimentos da Pantera Capital em São Francisco e membro do conselho da DTR, em entrevista. "Estamos perto do ponto em que, se não houver um ganho de escala em um período relativamente breve, elas podem ser relegadas ao rol das boas ideias que não funcionaram na prática, sendo mais parecidas à impressão 3D do que à internet."

A DTR planeja lançar a Unit-e no segundo semestre e pretende processar até 10.000 transações por segundo. É enorme a diferença em relação à média atual de 3,3 a 7 transações por segundo do bitcoin e de 10 a 30 transações do ethereum. Seria também mais rápido do que a Visa, uma rede centralizada que processa cerca de 1.700 transações por segundo em média.

A fundação com sede na Suíça reúne profissionais de áreas como Economia, Ciência da Computação e Criptografia, e também tem como membros acadêmicos da Universidade Carnegie Mellon e das universidades do Sul da Califórnia e de Washington. É financiada pela Pantera e por alguns indivíduos privados, segundo o presidente do conselho da fundação, Babak Dastmaltschi, que preferiu não informar outros detalhes.

A Unit-e é a primeira iniciativa do grupo, e os trabalhos futuros podem englobar os chamados contratos inteligentes, disse Pramod Viswanath, um pesquisador do projeto e professor de Engenharia Elétrica e da Computação na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

"O bitcoin nos mostrou que a confiança distribuída é possível, mas simplesmente não está ganhando escala em uma dimensão que possa transformá-la em uma moeda cotidiana verdadeiramente global", disse Viswanath. "Trata-se de uma inovação com capacidade para mudar vidas humanas, mas isso não acontecerá se a tecnologia não puder ser ampliada."