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Montblanc desenvolve aparelhos digitais para atrair o Google

Thomas Mulier e Corinne Gretler

17/01/2019 15h40

(Bloomberg) -- O CEO da Montblanc, Nicolas Baretzki, anunciou que a fabricante de canetas de luxo está trabalhando para se tornar líder em dispositivos altamente tecnológicos a fim de aumentar seu apelo e se associar a empresas de tecnologia como o Google, da Alphabet.

A marca pertencente à Richemont, cuja principal caneta-tinteiro custa 2 milhões de euros (US$ 2,3 milhões), planeja ampliar seu portfólio de aparelhos inteligentes neste ano, segundo Baretzki. A Montblanc já vende relógios inteligentes com o sistema operacional Android, do Google, etiquetas eletrônicas que ajudam os usuários a encontrar suas malas e canetas especiais que podem transferir traços de escrita para um computador ou telefone celular.

"Estamos entre os primeiros a entrar nessa categoria do luxo, e os Googles deste mundo não querem trabalhar com muitas marcas", disse Baretzki, em entrevista, no salão de relógios de Genebra. "Isso nos dá uma grande vantagem."

A indústria do luxo tem tido dificuldades para descobrir como combinar elementos tecnológicos de ponta com produtos de alto valor criados para durar décadas. A queda de 41 por cento das ações da Bang & Olufsen no ano passado mostra como é difícil acompanhar a demanda dos consumidores.

A Montblanc, que se diversificou para áreas como fabricação de relógios e artigos de couro, pode enfrentar, no campo dos aparelhos digitais, a concorrência de marcas de propriedade da LVMH, como a TAG Heuer, que vende um dos relógios inteligentes de luxo mais caros, e a Rimowa, uma fabricante de malas que também apostou nas etiquetas eletrônicas.

A marca de Baretzki foi a primeira da Richemont a incluir um elemento inteligente em seus relógios com uma pulseira eletrônica, em 2015. Dois anos depois, produziu um relógio inteligente completo, o Summit, de US$ 890, que funciona com Android. A versão do Summit deste ano inclui novos chips da Qualcomm e bateria de maior duração.

"A questão não se limita aos relógios, tem mais a ver com conectividade e com como o mundo está mudando", disse Baretzki, que preferiu não informar o nome dos produtos a serem lançados. "A tecnologia como um todo está entrando nos campos da saúde e da segurança, passando da abordagem curativa para a preventiva. Em um futuro próximo, todos usaremos um aparelho conectado, e se você não usar, seu plano de saúde pedirá que você use de todos modos."

Baretzki se tornou CEO da Montblanc em 2017 no lugar de Jérôme Lambert, que agora é CEO da Richemont.

Repórteres da matéria original: Thomas Mulier em Geneva, tmulier@bloomberg.net;Corinne Gretler em Zurich, cgretler1@bloomberg.net