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EUA e UE se contradizem em relação a negociações comerciais

Jonathan Stearns

18/01/2019 15h22

(Bloomberg) -- Os EUA e a União Europeia se preparam para negociações de livre comércio, mas a divergência em relação ao que será negociado pode minar o esforço.

A divisão ocorre devido a afirmações conflitantes a respeito do que exatamente foi acordado em julho passado em reunião na Casa Branca entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Autoridades americanas afirmam que a promessa dos dois líderes, em 25 de julho, de reduzir as barreiras comerciais transatlânticas se estende à agricultura. A UE insiste que o pacto político se limita aos produtos industriais (com a exceção da promessa europeia de comprar mais soja americana -- algo que o mercado já estava fazendo).

"Foi dito claramente, sem dúvida -- e eu estava na sala quando tudo aconteceu, por isso eu sei -- que a agricultura não seria incluída", disse a comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, a jornalistas, nesta sexta-feira, em Bruxelas, após apresentar um projeto para um acordo transatlântico que reduziria as tarifas sobre os produtos industriais.

Isso contrasta com a visão do enviado americano à UE, Gordon Sondland, que disse há dois meses: "Eu tive a vantagem -- ou a desvantagem -- de estar na sala quando o assunto foi discutido em 25 de julho, na Casa Branca. A agricultura sempre fez parte da discussão."

Para evitar o descompasso nas expectativas, a comissão de Juncker abriu mão de algumas formalidades da UE relacionadas aos mandatos de negociação comercial. Malmström ignorou, em grande parte, a tarefa de trabalhar com o colega americano no escopo exato de qualquer acordo a ser buscado, avançando diretamente ao pedido para que os governos da UE aprovem o início das negociações.

A UE está determinada a mostrar ao notoriamente impaciente Trump que estão sendo feitos progressos para a promulgação do acordo de julho, que suspendeu a temida ameaça americana de aplicar tarifas a carros e autopeças da Europa com base na segurança nacional.