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Amantes de trens, suíços se irritam com limusines em Davos

Catherine Bosley

21/01/2019 12h34

(Bloomberg) -- A grande quantidade de limusines pretas nas ruas cobertas de neve de Davos durante o Fórum Econômico Mundial está incomodando os habitantes dessa cidade nas montanhas suíças.

Em um país no qual o presidente do banco central e os ministros usam transporte público regularmente, o fato de os participantes do fórum não fazerem o mesmo é a principal queixa dos 11.000 habitantes da cidade. Eles dizem que o trânsito fica tão confuso que acaba sendo perigoso para as crianças caminharem até a escola.

Essa situação também destaca o choque cultural entre os habitantes dessa estação de esqui de médio porte e as celebridades estrangeiras dos negócios, da política e do entretenimento que estão lá durante alguns dias a cada mês de janeiro.

"As pessoas calçam sapatos sociais de couro e depois usam limusines porque não querem escorregar no gelo", disse a professora Ladina Alioth, que tem três filhos e foi eleita recentemente para a legislatura local. Ela tem orgulho de receber o FEM, mas diz que no ano passado o evento gerou muito distúrbio. "Eu uso botas e carrego os sapatos que uso em ambientes fechados -- por que eles não podem fazer isso também?"

O encontro de quatro dias na Montanha Mágica começa em 22 de janeiro. Quando essa multidão volta para casa, o gabinete do prefeito de Davos pergunta aos cidadãos que melhoras eles querem. As limusines lideraram as reclamações em 2018.

O FEM é vital para os negócios locais e gera um total estimado em 2 milhões de francos (US$ 2 milhões) em receita fiscal para a cidade. Mas a resistência local recente ao aumento do financiamento para a segurança sugere um certo cansaço em relação ao fórum.

O principal local de atividades é o centro de conferências da cidade, mas as festas e os coquetéis são realizados mais longe, por exemplo no Intercontinental Hotel, que fica a 40 minutos a pé. O guia do FEM para os participantes inclui informações sobre as opções de transporte local e o conselho de trazer "sapatos confortáveis e quentes". Além disso, o evento oferece antiderrapantes para sapatos por causa da neve.

"Nos últimos anos, a quantidade de carros particulares e o trânsito em Davos aumentaram significativamente", disse Soumitra Dutta, professor da Cornell, um participante recorrente que pega um ônibus organizado pelo FEM no aeroporto de Zurique. "Não me surpreende que os moradores locais não estejam satisfeitos com o congestionamento."

Apesar de o ônibus coletivo percorrer regularmente a rua principal de Promenade (o transporte é gratuito), a agenda de um delegado, repleta de reuniões, seminários, almoços e festas noturnas, pode tornar o carro atraente. A Uber também está oferecendo seus serviços durante a semana.

O luxo tem seu preço: viajar para Davos com um carro alugado saindo do aeroporto de Zurique custa 800 francos a 1.500 francos e ganha-se muito pouco tempo -- ou nenhum -- na comparação com o trem. Uma passagem de trem de primeira classe custa apenas em torno de 50 francos, mas é preciso trocar de trem. O serviço ininterrupto durante o FEM, incluindo o transporte de e para o aeroporto de Zurique, pode custar 20.000 francos.