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Chefe tem muito mais credibilidade que governo e mídia: pesquisa

Benedikt Kammel

21/01/2019 12h55

(Bloomberg) -- Os empregadores estão surgindo como uma poderosa fonte de confiança à medida que as pessoas se voltam para relacionamentos mais locais e continuam céticas em relação às instituições, como o governo e as plataformas de rede social, concluiu uma pesquisa sobre atitudes globais compiladas pela empresa de relações públicas Edelman.

Entre os entrevistados, 75 por cento disseram que confiam em seu empregador, 27 pontos a mais que o governo e 28 pontos a mais que a mídia, segundo a pesquisa. As pessoas olham cada vez mais para o empregador como um relacionamento porque ele está mais próximo e mais controlável, disse Edelman.

"As pessoas têm pouca confiança de que as instituições sociais vão ajudá-las a transitar por um mundo turbulento, por isso estão se voltando para um relacionamento crítico: seu empregador", escreveu o CEO Richard Edelman.

em um ensaio que resume as principais conclusões da pesquisa anual, que neste ano foi intitulada pela empresa como "Trust at Work".

O consumo e o compartilhamento da mídia tradicional também se recuperaram, marcando uma reversão drástica em relação a um ano atrás, porque há um desejo crescente de encontrar fatos, segundo o relatório. Por outro lado, a confiança nas redes sociais não acompanhou o ritmo, o que abriu uma lacuna entre as mídias tradicionais e sociais de 20 pontos globalmente e de até 35 pontos em alguns mercados desenvolvidos, segundo a pesquisa.

Pessimismo generalizado

A pesquisa de confiança da Edelman, que a empresa define como o tecido que une a sociedade, concluiu que o pessimismo continua generalizado. Esse sentimento é mais acentuado entre a população de massa, particularmente em países como o Reino Unido, o Canadá e a França, que mostraram a maior divisão entre uma classe de massa e a população informada. As mulheres também continuam mais céticas em relação às instituições do que os homens, segundo a pesquisa.

A pesquisa do ano passado, intitulada "The Battle for Truth", encontrou uma drástica erosão da confiança nos EUA, onde o indicador registrou o maior declínio já registrado.

O surgimento de protestos nas ruas, como os Coletes Amarelos na França, o movimento #MeToo e a desobediência coletiva em empresas como Google e Amazon, revelou uma tendência de as pessoas tomarem o poder em suas próprias mãos, em vez de buscarem mudanças através do processo eleitoral tradicional, segundo a pesquisa. As empresas devem se concentrar em reconhecer a preocupação de seus funcionários com o futuro, dar voz aos trabalhadores, construir comunidades locais e fazer com que o CEO aborde diretamente questões como a imigração e a diversidade, de acordo com a pesquisa.

A pesquisa anual de cerca de 33.000 entrevistados, realizada em outubro e novembro, pediu que cidadãos dos países em questão classificassem seus níveis de confiança em instituições fundamentais da sociedade, como empresas, governo, mídia e organizações sem fins lucrativos.