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Davos em 2019: Millennials tomam conta do fórum deste ano

Zoe Schneeweiss, Samuel Dodge e Andre Tartar

21/01/2019 11h43

(Bloomberg) -- A estação de esqui de Davos, na Suíça, está prestes a se tornar um refúgio para políticos e executivos em busca de um descanso de 2019, que começou há poucas semanas, mas já está turbulento - com a desaceleração da China, o desenrolar do Brexit e a paralisação do governo dos EUA.

Para aqueles que procuram algo familiar, o Fórum Econômico Mundial (FEM) desta semana apresentará o itinerário habitual de recepções com champanhes impressionantes e palestrantes de renome.

No entanto, a organização também busca uma dose de reviravolta neste ano. Foram recrutados seis jovens líderes, todos da geração do milênio, como copresidentes para dar forma à discussão junto com o CEO da Microsoft, Satya Nadella. Apesar da idade dos copresidentes, a demografia geral do evento continua sendo mais velha. A média de idade é de 54 anos para os homens e de 49 anos para as mulheres.

Este também é o terceiro ano consecutivo em que a maioria dos copresidentes do FEM são mulheres, um claro compromisso com a diversidade, mas que ainda não afetou o evento como um todo. A participação geral das mulheres continua inferior a uma em cada quatro pessoas.

Jovens ou velhos, mulheres ou homens, todos os participantes de Davos estão preocupados com eventos climáticos extremos. Este é o terceiro ano em que essas preocupações encabeçam a pesquisa anual de risco global do FEM, seguidas pelos desafios relacionados à falha na mitigação das mudanças climáticas e catástrofes naturais. Os riscos tecnológicos também estão tirando o sono dos líderes empresariais e mundiais, especificamente, os ataques cibernéticos e a fraude ou o roubo de dados.

A mudança climática está particularmente presente na mente de alguns dos novos líderes (e dos líderes em espera) que participam de Davos neste ano. A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, discutirá a proteção do planeta com o naturalista da TV David Attenborough e o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, na terça-feira. Menos fã do tema: o recém-eleito presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que contribuiu para cancelar os planos de que seu país fosse sede da Conferência das Nações Unidas de 2019 sobre a mudança climática.

Devido à paralisação do governo dos EUA, o presidente Donald Trump, que duvida da mudança climática, não participará neste ano e também retirou a delegação do governo. Mesmo assim, ele estará presente em espírito, dada a provável conversa sobre suas brigas comerciais com a China e outros países. Afinal, o título do FEM deste ano é Globalização 4.0.

Cerca de 700 participantes do evento, quase um quarto do total, são de importantes parceiros comerciais com que os EUA têm déficits comerciais - com os quais Trump costuma ficar obcecado. Ainda assim, mesmo com a desistência dos representantes do governo, o contingente americano continua sendo, de longe, o maior.

Assim como o número de participantes da reunião anual do FEM cresceu ao longo dos anos, para cerca de 3.000, o mesmo aconteceu com seu potencial de ganhar dinheiro. No último ano fiscal, a receita foi de 327 milhões de francos suíços (US$ 337 milhões), um aumento de 15 por cento em relação ao ano anterior. Isso se deve principalmente ao pagamento de parcerias: elas respondem por quase 70 por cento da receita e mais do que dobraram nos últimos cinco anos.

Embora essas quantias estejam muito aquém do que é necessário para resolver as crises climáticas do mundo, elas sugerem que o FEM (e a reunião anual em Davos) pode confortavelmente superar qualquer reviravolta geopolítica e econômica trazida pelo ano que começa.