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Luke Johnson não consegue evitar colapso da Patisserie Valerie

Ellen Milligan

23/01/2019 15h51

(Bloomberg) -- Os esforços do empreendedor britânico Luke Johnson para salvar a Patisserie Valerie fracassaram porque um escândalo contábil levou a companhia controladora da rede de panificação à insolvência, ameaçando até 2.800 empregos nas assoladas ruas comerciais do Reino Unido.

A Patisserie Holdings nomeou a KPMG como administradora após anunciar na semana passada que encontrou milhares de registros falsos em seus livros contábeis. A empresa de contabilidade planeja manter 121 das cerca de 200 lojas da rede abertas enquanto procura um comprador.

O drástico fracasso do empreendimento mais visível de Johnson ocorreu após uma derradeira tentativa malsucedida de levantar novos fundos dos credores da Patisserie, que incluem o HSBC Holdings e o Barclays. Johnson, que é presidente e o maior acionista da companhia, concedeu um empréstimo sem garantia e sem juros de 3 milhões de libras (US$3,9 milhões) para ajudar a pagar os salários de janeiro. Não foi possível entrar em contato com o HSBC, e o Barclays preferiu não fazer comentários.

Devido à extensa fraude descoberta em suas contas, a Patisserie "não pôde renovar suas linhas de crédito bancárias e, portanto, infelizmente, a empresa não possui recursos suficientes para cobrir seus passivos no vencimento", informou a companhia em comunicado.

A insolvência vai acabar com os investidores da rede, cujas ações não foram negociadas desde que o escândalo eclodiu, em outubro. A perda de pelo menos 70 padarias aumenta o número de vitrines vazias nas ruas comerciais do Reino Unido, onde varejistas como a rede de produtos eletrônicos Maplin e o braço britânico da Toys "R" Us já desapareceram. Os consumidores estão recorrendo cada vez mais a varejistas on-line, como a Amazon, e a desvalorização da libra por causa do Brexit reduziu o poder de compra.

Escândalos contábeis

"Espero que isso leve o setor a melhorar sua atuação, antes da perda de mais uma empresa do comércio e de um grande número de empregos", disse Nick Burchett, diretor de ações britânicas da Cavendish, que detinha cerca de 500.000 ações, em mensagem enviada por e-mail.

A Patisserie Valerie aumenta uma longa lista de escândalos contábeis no Reino Unido, em que estiveram envolvidas empresas como a varejista Tesco e a companhia de terceirização Carillion. Os escândalos estimularam a demanda por um novo órgão regulador com poderes para investigar as empresas, suas contas e sua governança.

O ex-diretor financeiro da Patisserie, Chris Marsh, e a companhia que era auditora da empresa, a Grant Thornton, estão sendo investigados pelos órgãos reguladores do Reino Unido. O Departamento de Fraudes Graves abriu uma investigação criminal.

O ex-CEO da Patisserie, Paul May, deixou o cargo em novembro, depois que a empresa de panificação registrou um déficit surpreendente que levou à prisão de Marsh.

Johnson batalhou para salvar a empresa da insolvência e disse em outubro que emprestaria 20 milhões de libras para evitar o colapso. A empresa também afirmou na época que tinha levantado 15,7 milhões de libras por meio da emissão de novas ações.

A equipe de gerenciamento existente, incluindo o CEO Steve Francis, ajudará na tentativa de encontrar um comprador, informou a KPMG.