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Nova geração de super-ricos dos EUA é surpreendentemente jovem

Ben Steverman

23/01/2019 12h02

(Bloomberg) -- Os ricos estão ficando mais ricos e mais jovens.

Uma pesquisa com investidores dos EUA com US$ 25 milhões ou mais descobriu que a idade média deles caiu 11 anos desde 2014, para 47. Esses americanos incrivelmente ricos, cujo número mais do que dobrou desde as profundezas da Grande Recessão, são mais jovens do que milionários menos ricos. A idade média daqueles com pelo menos um mero US$ 1 milhão é 62, um número que não muda há anos.

Essa conclusão sugere que uma "vasta transferência geracional de riqueza" está "apenas começando", disse George Walper Jr., presidente da Spectrem Group, que realizou o estudo. O tamanho da amostra foi pequeno - 185 americanos com mais de US$ 25 milhões em patrimônio líquido -, mas os resultados condizem com outras pesquisas econômicas sobre o 0,1 por cento mais rico.

Aqueles com mais de 65 anos detêm mais de um terço da riqueza dos EUA, um número que não subiu tão rapidamente quanto a parcela de americanos idosos na população, segundo os economistas Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, da Universidade da Califórnia em Berkeley, em um artigo de 2016. Na verdade, o grupo de americanos mais ricos "está realmente ficando mais jovem".

De onde vem esse dinheiro novo? Uma nova geração de milionários e bilionários provavelmente deve tanto às heranças quanto às fortunas feitas por eles mesmos. "Pode haver mais Mark Zuckerbergs no topo da distribuição de riqueza do que na década de 1960, mas também há mais Paris Hiltons", escreveram Saez e Zucman.

Cerca de 172.000 famílias dos EUA têm patrimônio líquido de pelo menos US$ 25 milhões, estimou a Spectrem no ano passado. O número é um aumento em relação a 84.000 em 2008.

Cerca de nove em cada dez investidores com menos de 38 anos atribuíram seu sucesso à "herança" e a "conexões familiares" na pesquisa da Spectrem. Mas a mesma proporção também disse que "trabalhar duro" e "administrar meu próprio negócio" desempenharam um papel. Cerca de 70 por cento dos investidores mais ricos disseram que ainda estão trabalhando.

Mesmo com mais jovens entrando no grupo do 0,1 por cento mais rico, a maioria de seus compatriotas da geração do milênio e da geração X estava com dificuldades. Os americanos com 75 anos ou mais são o único grupo etário cuja mediana de patrimônio líquido subiu de 2007 a 2016, de acordo com a Pesquisa sobre Finanças do Consumidor, publicada pelo Federal Reserve em julho de 2018. A riqueza do americano comum de 35 a 54 anos - muito concentrada na habitação - caiu mais de 41 por cento nesse período de tempo.

Enquanto isso, os americanos mais ricos estão usando técnicas complexas de planejamento patrimonial para transferir riqueza para seus filhos, netos e demais herdeiros. Noventa e um por cento dos investidores com US$ 25 milhões ou mais mantêm ativos em um fundo, segundo a Spectrem, e metade tem três ou mais fundos estabelecidos.

A caridade está recebendo menos atenção. Embora quase 200 das pessoas mais ricas do mundo tenham assinado o Giving Pledge - um compromisso de doar pelo menos metade de sua riqueza -, a pesquisa da Spectrem sugere que a típica pessoa rica é muito menos generosa, pelo menos até agora. Dos entrevistados com pelo menos US$ 25 milhões, apenas 15 por cento doam US$ 100.000 ou mais por ano.