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Fundos de criptomoedas se transformam em capitalistas de risco

Olga Kharif

30/01/2019 15h06

(Bloomberg) -- Os preços das criptomoedas continuam em queda e os fundos de hedge que investem em ativos digitais estão começando a parecer cada vez mais com capitalistas de risco.

A Polychain Capital, que alcançou mais de US$ 1 bilhão em ativos pouco antes do colapso do mercado em 2018, acaba de levantar US$ 175 milhões para um fundo com período de bloqueio de sete anos, afirmou o CEO Olaf Carlson-Wee. A BlockTower Capital contratou recentemente Eric Friedman para liderar a estratégia de risco da empresa. A Arca Funds estuda assumir participações acionárias em projetos de criptomoedas em dificuldades.

"Haverá muitas oportunidades em aquisições distressed e até mesmo em investimento ativista", disse Jeff Dorman, sócio e gerente de portfólio da Arca, com sede em Los Angeles. "Muitas vezes é possível comprar até abaixo do valor em dinheiro da empresa."

O limite está sendo apagado após o colapso do mercado de ofertas iniciais de moedas, com o qual as startups estavam driblando o financiamento de risco tradicional vendendo tokens diretamente aos investidores. Mas como a pressão regulatória está elevando o risco de restituições forçadas, e com a queda de até 90 por cento dos preços das moedas no último ano, muitos investidores querem deixar o ramo -- o que permite que os fundos entrem e realizem aquisições por centavos de dólar.

Cerca de 125 fundos de risco que normalmente oferecem capital em troca de uma participação acionária foram lançados no ano passado, contra 115 fundos de hedge que atuam principalmente como investidores, na primeira vez em que o número superou o total de parcerias de investimento neste setor embrionário, segundo a Crypto Fund Research.

"Os fundos silenciosamente deixaram de ser fundos de hedge e passaram a ser fundos de risco porque os valores de seus portfólios líquidos encolheram, deixando uma altíssima porcentagem de ativos sob gestão ilíquida", disse Kyle Samani, sócio-gerente da Multicoin Capital Management em Austin, no Texas. A Multicoin tradicionalmente fecha negócios de capital de risco e investe em tokens, disse.

Muitos fundos estão focados na aquisição de SAFTs, sigla em inglês de acordos simples para tokens futuros, que dão direito a moedas futuras de startups que planejam emitir tokens quando seus produtos estiverem prontos, muitas vezes com grandes descontos de até 80 por cento.

"Se você conseguir desconto, e reduzir o risco dessa forma, é muito útil", disse Paul Veradittakit, sócio da Pantera Capital Management, com sede em Menlo Park, Califórnia. Ele acredita que verá mais empresas levantando capital dessa forma e que o fundo do Pantera, que investe em moedas antes de ICOs, "está ficando muito mais parecido com o capital de risco".

Os fundos de hedge da Crypto registraram cerca de 70 por cento em prejuízos em média no ano passado, segundo o Eurekahedge Crypto-Currency Hedge Fund Index. Apesar de 42 fundos de criptomoedas terem fechado em 2018, ainda há outros 740 ou mais espalhados pelo mundo, segundo a Crypto Fund Research, uma consultoria dirigida por um ex-analista da Merrill Lynch. O universo de fundos pode encolher ainda mais.

"2019 será o ano de separar o joio do trigo e isso vale tanto para projetos quanto para fundos", disse Travis Kling, fundador do fundo de hedge de criptomoedas Ikigai, com sede em Los Angeles, que está avaliando SAFTs.

--Com a colaboração de Sarah McBride e Alastair Marsh.