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Febre do Ford Bronco reformado se espalha pelos EUA

Hannah Elliott

31/01/2019 15h54

(Bloomberg) -- A Ford decepcionou legiões de fãs e especialistas neste mês no Salão do Automóvel de Detroit ao não revelar, nem anunciar progressos para o novo Bronco. Corriam rumores havia meses de que a atualização do ícone dos anos 1970 estava chegando; a promessa é que o carro irá à venda em 2020.

Kevin Tynan, analista automotivo sênior da Bloomberg Intelligence, diz que, para realmente impressionar o mercado do Bronco, a Ford precisa fazer o oposto do que a Chevrolet fez com o Blazer. Aquele foi "apenas mais um crossover" com um nome famoso do passado, diz. Ficou perdido no mar de crossovers genéricos modernos.

O mercado agora está fervendo. Enquanto os Broncos usados ainda podem ser comprados por menos de US$ 30.000 no website de leilões Bring a Trailer, o valor médio de um Ford Bronco 1966 wagon, duas portas, 4x4, que funcione e esteja em bom estado é de US$ 32.700, segundo a empresa especialista em automóveis de coleção Hagerty, acima do valor médio de US$ 15.000 de três anos atrás. Os Broncos em excelente condição têm um valor médio de quase US$ 81.000, contra US$ 42.000 em 2016.

A Ford construiu os primeiros Broncos em 1966. Pensado para competir com o International Scout e com o Jeep CJ-5, o carro atraiu compradores nas planícies centrais e do oeste dos EUA que precisavam de veículos com tração nas quatro rodas, duráveis, práticos e acessíveis para atividades como caça, pecuária e agricultura. Logo os compradores dos estados do norte do país os adotaram por sua capacidade de lidar com a neve e o gelo; alguns inclusive acoplaram arados de neve em suas altas frentes de metal.

O fato de custarem menos de US$ 2.500 na época (valor comparável ao dos carros Jeep) e serem mecanicamente simples o suficiente de consertar em casa aumentou sua popularidade. Durante o primeiro ano de produção, a Ford vendeu 24.000 unidades. A primeira geração durou 12 anos.

A maioria dos membros dessa primeira geração foi muito usada. Foram surrados, esmagados, batidos e quebrados durante anos de trabalho duro; o trabalho real, afinal de contas, era sua vocação. Muitos dos exemplares que chegaram à vida moderna precisam de grandes reparos.

As restaurações modernas

É aí que entram construtores como a Velocity Restorations. A loja de Pensacola, na Flórida, deixa 30 dos antigos Broncos "novos" a cada ano. O coproprietário Brandon Segers diz que esse número subiu "substancialmente" nos últimos anos e que não vê nenhuma desaceleração a curto prazo.

"Estamos muito animados com o lançamento do Bronco 2020. Ele só aumentará a popularidade" do modelo em geral, seja antigo ou novo, diz.

Os Broncos de Segers, modelos vindos diretamente da década de 1970, são restaurados com novos componentes para que funcionem com a mesma confiabilidade de qualquer veículo moderno. Uma reforma do tipo Mountain Edition, que custa US$ 169.000, insere um motor Ford 302 em uma carroceria doada de Bronco, adiciona freio a disco, direção hidráulica, aumento na suspensão, assentos reclináveis com encosto alto, Bluetooth e uma opção de transmissão manual reconstruída automática ou com três marchas. Uma reforma Lake Edition, ao custo de US$ 209.000, inclui, além desses recursos, um motor de injeção de combustível de um Ford Coyote 5.0 e a transmissão overdrive eletrônica 4R70. A Beach Edition, de US$ 239.000, vem com o mesmo, mais pneus de 35 polegadas e rodas de 17 polegadas e degrau retrátil.