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Microsoft e cidades dos EUA combatem crise de moradia juntas

Noah Buhayar

07/02/2019 15h56

(Bloomberg) -- A Microsoft causou sensação no mês passado quando anunciou uma iniciativa de US$ 500 milhões para enfrentar a crescente crise de moradia de Seattle, nos EUA. Menos notado foi um detalhe que será fundamental para que isso dê certo: nove dos maiores subúrbios da cidade concordaram em participar do esforço.

O dinheiro da Microsoft será destinado à construção e preservação de residências para moradores de renda média e baixa e os prefeitos dos subúrbios se comprometeram a executar planos pró-crescimento, como aumentar a densidade em pontos de trânsito, reduzir as exigências de estacionamento e acelerar o licenciamento.

Muitas vezes, essas políticas para solucionar problemas podem parecer entediantes. Quem quer falar sobre zoneamento? Mas os economistas argumentam há muito tempo que essas medidas são cruciais para conter os aluguéis e os preços dos imóveis que estão disparando em regiões que não construíram moradias suficientes para atender à demanda. Agora, o setor de tecnologia, que durante anos tem sido criticado por contribuir para o aumento dos custos imobiliários e fazer pouco para dar respostas a esse problema, está usando seu dinheiro e sua força política para lidar com questões locais frequentemente tensas.

"O setor privado não pode resolver" a falta de moradia por conta própria, disse Jenny Schuetz, bolsista do Programa de Políticas Metropolitanas da Brookings Institution. Mas "quando as corporações maiores e mais ricas de uma área pressionam os políticos, isso pode fazer a diferença".

Iniciativas

Apenas uma semana após o anúncio da Microsoft, a instituição de filantropia fundada pelo CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, e por sua esposa, Priscilla Chan, afirmou que financiaria uma iniciativa de US$ 500 milhões para moradias populares na área da Baía de São Francisco. A iniciativa, chamada Partnership for the Bay's Future, também inclui um fundo de US$ 40 milhões destinado a influenciar as políticas públicas.

Essas iniciativas, é claro, promovem uma boa imagem em um momento em que o setor está sendo criticado. A busca muito divulgada da Amazon por uma segunda sede, no ano passado, chamou a atenção para o papel da empresa no declínio do acesso a moradias em Seattle. Também levantou dúvidas sobre se uma das empresas mais valiosas do mundo merecia receber subsídios públicos para se expandir. A Microsoft, por sua vez, está tentando se posicionar como cidadã corporativa responsável do setor de tecnologia e divulgando seu trabalho em tudo, da privacidade de dados à ética da inteligência artificial.

"A tecnologia está na mira agora", disse Glenn Kelman, CEO da Redfin, uma empresa de corretagem e dados sobre imóveis com sede em Seattle. "Nós criamos essa prosperidade incrível em São Francisco e em Seattle e agora muitas pessoas veem isso como uma maldição em vez de uma bênção."

Também pode haver interesse próprio na tentativa de tornar a moradia mais acessível. O recrutamento de pessoal passou a ser um desafio muito maior em Seattle e na área da Baía por causa do custo de vida, mesmo para trabalhadores de tecnologia bem pagos. "Há engenheiros que chegam ao escritório e dizem que os US$ 150 mil que eles ganham não são suficientes para comprar uma casa", disse Kelman.

Mas é "muito cínico" pensar que essa é a única motivação, disse ele. As pessoas que apoiam essas iniciativas "estão genuinamente preocupadas com o acesso à moradia e com a habitabilidade das cidades".

--Com a colaboração de Dina Bass.