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Aposta de fundo de hedge na morte dá mais certo que o esperado

Jonas Cho Walsgard

11/02/2019 15h25

(Bloomberg) -- Um dos maiores fundos de hedge dos países nórdicos está apostando apenas na vida e na morte.

A Resscapital, gestora de fundos de hedge com sede em Estocolmo, atua no mercado americano dos chamados life settlements, nos quais os aposentados vendem suas apólices de seguro de vida a um terceiro com desconto. O fundo só compra apólices após uma avaliação médica independente, para estimar a expectativa de vida, e lucra se essa estimativa for precisa.

O fundo vem comprando apólices desde 2011 e está começando a lucrar porque, bem, seus vendedores estão morrendo.

"O portfólio está envelhecendo e isso aumenta a probabilidade de pagamentos", disse Gustaf Hagerud, diretor-gerente da Resscapital, por telefone. "O desempenho no ano passado foi uma confirmação de que nossa estratégia de investimento está funcionando. Recebemos pagamentos ligeiramente acima das expectativas."

O mercado vem crescendo nos últimos anos, o que facilita o investimento, segundo Hagerud. O fundo entregou retorno de 9,9 por cento em 2018, desempenho superior ao prejuízo médio de 3,5 por cento do Nordic Hedge Index. O fundo mira um retorno líquido anual de 7 por cento com baixa volatilidade e alcançou um retorno anualizado de 6 por cento nos últimos cinco anos.

"Há uma curva em J nessa estratégia de gerenciamento de portfólio", disse. "Leva algum tempo construir um portfólio até que os pagamentos ocorram. Por isso, acreditamos que a tendência continuará."

A Resscapital, que administra US$ 117 milhões para a Ress Life Investments, empresa listada em Copenhague, possui mais de 200 apólices de seguro de vida nos EUA de seguradoras como John Hancock, Lincoln International e AXA Equitable. O valor nominal total é de cerca de US$ 450 milhões.

Os vendedores têm uma expectativa de vida média de 12 anos na compra.

"As pessoas que nos vendem são pessoas idosas com boa saúde", disse. "Elas já não precisam tanto de seguro. É mais fácil conseguir uma estimativa de expectativa de vida correta de uma pessoa saudável."

Por investir em renda fixa alternativa tendo a longevidade como principal risco, o fundo não tem correlação com mercados de ações e ciclos de negócios. Em vez disso, o maior risco enfrentado é a aceleração da inflação nos EUA, segundo Hagerud.

"O aumento dos rendimentos dos títulos soberanos dos EUA não é uma ameaça maior", disse. "Os diferenciais pelos quais compramos são muito amplos. Mas uma aceleração da inflação acima das expectativas prejudicará todo o setor de renda fixa, com exceção dos títulos indexados à inflação. Então esse é o maior risco."