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Qantas avança plano para voo direto entre Sydney e Londres

Christopher Jasper

11/02/2019 11h34

(Bloomberg) -- A visão da Qantas Airways para colocar no ar os primeiros voos diretos entre Sydney e Londres está mais perto de se concretizar. Boeing e Airbus estão finalizando as propostas para os jatos de longa distância capazes de encarar a viagem de 17.000 quilômetros.

A Qantas também se empenha para aumentar o conforto na jornada de aproximadamente 20 horas até a capital britânica e cidades como Nova York e Paris, explicou em entrevista o presidente Alan Joyce. Isso inclui acertar o número de assentos e projetar uma cabine que talvez tenha camas.

Os novos voos serão a última palavra em distância quando conectarem metrópoles opostas no planeta. Entre as rotas ativamente estudadas pelas companhias aéreas, somente um voo direto entre Londres e Auckland seria mais longo. Uma viagem partindo de Sydney ou Melbourne e chegando em Londres superaria em 1.600 quilômetros o voo mais comprido em registro, que conecta Cingapura e Nova York e é operado pela Singapore Airlines.

As fabricantes de aviões apresentarão nos próximos meses as ofertas finais para modelos capazes de viajar do sudeste da Austrália ao norte da Europa ou nordeste dos EUA, informou Joyce, explicando que a escolha será entre versões do Boeing 777-8X e os jatos A350-900ULR e -1000ULR da rival europeia.

"Boeing e Airbus ainda estão trabalhando nos pedidos de proposta", disse o executivo. "Não se trata apenas de acrescentar alguns tanques de combustível. O plano é finalizar tudo até o fim do ano e chegar a uma decisão sobre o início até 2022."

A Qantas quer chegar a um novo acordo com os pilotos que cubra as mudanças no regime de trabalho para voos que exigem tanta resistência e também está discutindo com as autoridades as alterações regulatórias, disse Joyce.

Sob o projeto, que ganhou o codinome Sunrise, haverá conexão direta entre as duas maiores cidades da Austrália e destinos como Londres, Paris, Frankfurt, Nova York e Chicago. Joyce descreveu o serviço como a "última fronteira" em aviação, tornando as principais metrópoles acessíveis por voos sem escalas.

A Qantas já começou a abrir rotas com jatos que tem na frota, implementando no ano passado o primeiro serviço direto entre Londres e Perth - cidade que fica na costa oeste da Austrália, oposta a Melbourne e Sydney --, usando um Boeing 787 Dreamliner adaptado. A companhia avalia usar o modelo nos voos que partem de Brisbane e chegam a Chicago, Dallas e Seattle.

O voo de Perth é viável por causa da parcela acima do normal de passageiros de classe executiva ou econômica premium. Talvez isso seja necessário para viabilizar as rotas contempladas pelo Projeto Sunrise. Joyce também afirmou que estuda instalar camas no compartimento de carga das aeronaves.

Segundo o executivo, voos diretos reduziriam a necessidade de usar hubs intermediários como Los Angeles, o que ajuda a explicar porque a Qantas não pretende exercer a opção de comprar oito superjumbos Airbus A380, que se somariam aos 12 que já estão na frota.

"Quando as pessoas voam direto, não precisamos disso", disse ele. "A rede está mudando significativamente e ficando mais concentrada entre um ponto e outro."

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