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Mina de cobre de US$ 10 bi entra em operação na selva panamenha

Natalie Obiko Pearson

14/02/2019 15h53

(Bloomberg) -- A maior nova mina de cobre do mundo começou a operar nesta semana na selva panamenha. Ela abastecerá o mercado global, que se aproxima de um déficit, e dará à First Quantum Minerals uma chance de provar que o investimento de US$ 10 bilhões compensava todos os problemas.

A Cobre Panamá, um vasto complexo de mineração e processamento próximo à costa atlântica do Panamá, processou seu primeiro minério na segunda-feira, meio século após a descoberta do depósito. Com produção plena em 2021, a mina transformará a First Quantum, com sede em Vancouver, no Canadá, em uma das maiores produtoras de cobre, ao lado de gigantes como Freeport-McMoRan e BHP Group.

Para o Panamá, este é o maior investimento da história fora do canal e transforma o país da América Central em fornecedor importante do mercado de cobre, que enfrenta distúrbios trabalhistas e governos em busca de fatias maiores. Graças ao Canal do Panamá, o projeto de US$ 6,3 bilhões será capaz de transportar seu concentrado a praticamente qualquer fundição do mundo.

"Isso estabelece uma nova jurisdição para a mineração", disse Tristan Pascall, gerente-geral do projeto, em entrevista na instalação, pouco antes de o primeiro minério passar por suas usinas. "Não há muitos projetos chegando."

Fracassos passados

Foi um longo caminho até aqui. Durante 50 anos o depósito permaneceu tentadoramente, mas inabalavelmente, fora de alcance.

"É possível que grandes canteiros rivalizem com o Canal do Panamá como um ativo econômico do país", anunciou o Star & Herald, um jornal local em língua inglesa, na primeira página da edição de 1º de maio de 1968, quando uma equipe de pesquisa da Organização das Nações Unidas descobriu o depósito.

As tentativas de desenvolvimento passadas fracassaram. O terreno é ondulado como uma caixa de ovos -- é impossível de ser percorrido pelos colossais equipamentos de mineração. Quando chove, como costuma acontecer, o solo se transforma em uma insana argila parecida com pasta de dente. Um consórcio japonês formado por sete empresas e pela Teck Resources abandonou o projeto. Em 2013, a First Quantum assumiu a mina após comprar, por 5 bilhões de dólares canadenses (US$ 3,8 bilhões), a concorrente canadense Inmet Mining Corporation, que havia passado duas décadas no projeto com pouco a mostrar. A maior parte do setor de mineração havia desconsiderado a Cobre Panamá.

Nos seis anos desde então, a mineradora canadense conseguiu nivelar o intimidante terreno, em alguns casos preenchendo fossos de 60 metros de profundidade. A empresa construiu um porto de águas profundas no qual caminhões de mineração do tamanho de uma casa podem circular totalmente montados em navios fundeados. A companhia construiu uma usina de energia movida a carvão e a terceira via do Panamá que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico.

Kjell Anzelius, 85 anos, o único sobrevivente da equipe de pesquisa original da ONU, começou a ver reportagens sobre a mina nos noticiários no ano passado. Quando viu que o depósito que tinha ajudado a descobrir estava prestes a começar a produzir, ele pegou um avião na Suécia, seu país.

"Demorei dois dias para encontrá-los", disse, referindo-se ao escritório da First Quantum na Cidade do Panamá. Mas depois que encontrou o gerente da empresa no país, Anzelius sobrevoou de helicóptero o local onde a selva antes impenetrável que ele tinha cortado com uma motosserra foi transformada em um complexo de última geração.

"Estou mais surpreso do que qualquer outra coisa", disse, por telefone, da Suécia. "Sempre tive a sensação de que custaria muito dinheiro estabelecer uma mina lá."

--Com a colaboração de Marvin G. Perez e Paula Sambo.

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