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Após Brumadinho, mercado de minério busca mais oferta

Krystal Chia e Martin Ritchie

21/02/2019 12h06

(Bloomberg) -- O mercado internacional de minério de ferro está voltando os olhos para a Rio Tinto à espera de que a mineradora adicione mais oferta após as perdas sofridas pela Vale. Nesta semana, dois pesos-pesados do setor anunciaram que não estão em posição de ampliar significativamente a produção.

"Estamos vendo a possibilidade de uma oferta adicional da Rio, não como uma resposta ao acidente da Vale em si, mas como fonte de toneladas extras em comparação com o ano passado", disse Andrew Gadd, analista sênior do escritório da CRU Group em Sidney, por telefone, nesta quinta-feira. "As grandes empresas, entre elas a Rio, não terão condições de responder especificamente ao acidente no Brasil."

O minério de ferro disparou após o rompimento da barragem de Brumadinho, da Vale, em janeiro, e o anúncio do corte de 70 milhões de toneladas pela empresa, embora parte dessa queda possa vir a ser compensada. A sacudida no mercado marítimo gerou especulações de que pode haver um déficit neste ano, apesar de os preços mais elevados induzirem a entrada de outras empresas. Nesta semana, a BHP e a Fortescue Metals -- que dominam o comércio junto com a Rio Tinto e a Vale -- anunciaram que não conseguem ampliar a oferta.

"A médio prazo, já estávamos observando um mercado com excesso de oferta", disse Paul Butterworth, gerente de pesquisa de matérias-primas do aço na CRU, de Cingapura. "Agora, se havia alguém inclinado a sair já não precisará fazê-lo e é possível que haja uma resposta da China, uma resposta da Índia. E um ou dois projetos pelo mundo podem se tornar mais viáveis."

Aumento do preço

Após o desastre de 25 de janeiro, que desencadeou uma reavaliação do setor a respeito de como gerenciar as operações, os preços subiram, depois cederam parte dos ganhos. Os contratos futuros na Bolsa de Cingapura atingiram US$ 94 por tonelada em 8 de fevereiro, preço mais alto desde 2014. O contrato mais ativo estava em US$ 84,32 nesta quinta-feira.

Em janeiro, dias antes da tragédia da Vale, a Rio Tinto anunciou que pretende elevar as exportações anuais de minério de ferro em até 3,5 por cento em 2019, projetando uma receita de 338 milhões a 350 milhões de toneladas da Austrália.

O Goldman Sachs anunciou que a Rio Tinto provavelmente seja a única grande produtora capaz de aumentar significativamente os volumes. A Macquarie Wealth Management afirmou que, a médio prazo, a Rio tem a maior flexibilidade para aumentar a produção, o que exigiria um aumento significativo de capital.

Não haverá mais minério da BHP e da FMG. "Não temos capacidade adicional para colocar neste mercado", disse o CEO da BHP, Andrew Mackenzie, na terça-feira. "Maximizamos a produção a partir do que já temos instalado, não estamos segurando nada." A BHP projeta uma produção, incluindo terceiros, de até 283 milhões de toneladas neste ano até julho.

Repórteres da matéria original: Krystal Chia em Cingapura, kchia48@bloomberg.net;Martin Ritchie em Xangai, mritchie14@bloomberg.net