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Aérea e rede de teatros investem em capital de risco no Japão

Pavel Alpeyev

25/02/2019 14h56

(Bloomberg) -- Quando a Japan Airlines anunciou no mês passado que estava abrindo um fundo de capital de risco de US$ 70 milhões, era natural que os céticos se perguntassem: o que uma empresa aérea sabe sobre investimentos em startups?

A pergunta poderia ser feita a muitas grandes empresas do Japão, onde o investimento em capital de risco virou moda no mundo corporativo. A maior fabricante de cigarros, a maior agência de viagens e até mesmo o serviço de correios do país entraram na onda. A operadora mais famosa dos tradicionais teatros de kabuki, um estúdio cinematográfico de 123 anos chamado Shochiku, investiu no ano passado em um fundo focado em drones. E a lista vai longe.

O Japão muitas vezes aparece nas pesquisas como um dos lugares mais difíceis para a abertura de novos negócios, mas agora está ficando mais fácil porque grandes empresas de todos os tipos estão investindo em startups para conseguir ideias mais rapidamente e melhorar sua imagem no quesito alta tecnologia. Michael Cusumano, especialista em Japão da Escola Sloan de Administração do MIT, em Cambridge, Massachusetts, diz que há uma mentalidade de rebanho em voga, mas que ainda pode gerar inovação.

"Eles tendem a pegar a mesma onda, mas esta não é necessariamente uma onda ruim de pegar", disse Cusumano. "Há várias formas de obter informações, mas nenhuma é tão boa quanto ser investidor e estar no conselho."

A explosão das startups corporativas no Japão faz parte de uma tendência global maior, mas está mais concentrada porque o país tem menos fundos independentes. O investimento mundial em capital de risco corporativo (CVC, na sigla em inglês) cresceu 47 por cento no ano passado, para um recorde de US$ 53 bilhões, mas representou apenas em torno de um quarto de todos os negócios, segundo estudo recente da empresa de pesquisa CB Insights. No Japão, a maior parte do dinheiro vem de fundos corporativos.

Uma primeira onda de investimentos japoneses em CVC ocorreu durante a explosão das pontocom, no fim da década de 1990, quando tradings, empresas de telecomunicações e conglomerados de eletrônicos, como NTT Docomo e Panasonic, abriram fundos no Vale do Silício -- muitos dos quais fecharam quando a bolha estourou. Masayoshi Son, que havia investido em cerca de 800 empresas, quase faliu a SoftBank durante essa aventura.

A onda mais recente, que atraiu um grupo maior de atores, começou por volta de 2015. Naquele ano, a maior agência de publicidade do Japão, a Dentsu, abriu um fundo de 10 bilhões de ienes (US$ 90 milhões) para investir em startups de marketing e comunicações, e a operadora de estacionamentos Park24 criou um fundo para tecnologia de mobilidade. Desde então, o número de membros corporativos na Associação de Capital de Risco do Japão saltou de 6 para 49.

"O que realmente mudou é que a TI começou a se tornar estratégica para muitas empresas", disse Toshi Otani, cofundador da Translink Capital, que administra o fundo de inovação da JAL. "Todos esses setores estão sendo virados de cabeça para baixo."