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Illumina pergunta se mundo está pronto para genoma a US$ 100

Kristen V. Brown

28/02/2019 17h17

(Bloomberg) -- O custo para decodificar um genoma humano completo vem caindo há anos, assim como ocorre com os custos de processamento por computadores -- de centenas de milhares de dólares por pessoa para cerca de US$ 1.000 na atualidade. Com um genoma a US$ 100 cada vez mais próximo, o CEO da maior produtora de sequenciadores de DNA acha que o mundo pode não estar pronto.

As primeiras máquinas da Illumina, lançadas em 2006, podiam decodificar um genoma humano completo por cerca de US$ 300.000. Um modelo lançado em 2014 pode fazê-lo por cerca de US$ 1.000 e transformou o sequenciamento de DNA em algo amplamente difundido, ajudando a diagnosticar doenças e a encontrar novos medicamentos. As máquinas mais recentes da empresa poderiam algum dia baixar o custo para perto de US$ 100.

"Estamos comprometidos com o avanço para tornar a genômica mais acessível para todos", disse o CEO da Illumina, Francis deSouza, em entrevista recente, na sede da empresa, em San Diego, nos EUA.

A capacidade de sequenciar um genoma completo por um décimo do custo atual criaria uma explosão de novos dados de saúde, mostrando a genética detalhada de mais pessoas. Embora possa ser útil para pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos, DeSouza disse que ainda não está claro exatamente como o genoma seria usado para isso.

"Minha esperança é que, com o genoma a US$ 100, começaremos a ver alguns estudos inovadores que nos ajudarão a entender melhor como a genômica se traduz em doença e saúde", disse DeSouza.

Ainda há desafios a superar para atingir o preço de US$ 100, disse o CEO.

"Duas coisas precisam acontecer para chegarmos a esse preço. A primeira é que precisamos fazer um trabalho de engenharia", disse. "A segunda, que é igualmente importante, é garantir que os nossos clientes pensem no que poderiam fazer se tivessem um genoma por cem dólares."

A US$ 100, o genoma teria o custo aproximado dos populares testes da 23andMe e da Ancestry voltados ao consumidor, que decodificam apenas uma pequena fatia do DNA de uma pessoa. Isso criaria uma explosão de dados e pesquisadores e pacientes poderiam não saber o que fazer com eles.

Em 2017, a empresa divulgou o NovaSeq, um sequenciador com uma arquitetura totalmente nova que, anunciou, poderia um dia reduzir os custos para US$ 100. As máquinas de ponta da empresa custam quase US$ 1 milhão, o que manteve seu uso para grandes instituições médicas e de pesquisa.

"Nós temos uma linha de visão que abrange os investimentos que estamos fazendo em nossa química, em nosso sistema de câmeras e em nossas células de fluxo para poder chegar ao genoma de US$ 100", disse Susan Tousi, vice-presidente sênior de desenvolvimento de produtos.

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