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Petroleiras devem gastar mais em energia verde, diz Accenture

Mathew Carr

01/03/2019 12h53

(Bloomberg) -- As empresas de petróleo e gás que estão sendo pressionadas pelos investidores para diminuir o investimento em combustíveis fósseis devem começar a gastar mais em energia ecológica, segundo a Accenture.

Os gerentes de empresas de energia tradicionais precisam gastar em áreas que atraiam novos clientes, como baterias, carga de carros e eletricidade renovável, disse Andrew Smart, diretor administrativo do setor global de energia no grupo de consultoria. Caso contrário, o risco é que a parte "suja" de suas empresas sufoque as oportunidades de crescimento, disse ele.

"O antigo tem o hábito de matar o novo", disse Smart em entrevista na conferência de energia IP Week em Londres.

A pressão sobre os fornecedores de combustíveis fósseis convencionais está aumentando. Os acionistas formaram grupos como Climate Action 100+ para incitar as empresas a reduzir emissões. Entre as companhias que cederam à pressão dos investidores estão a Glencore, que anunciou um teto para a mineração de carvão neste mês, e as gigantes do petróleo BP e Royal Dutch Shell.

A BP diminuiu sua perspectiva de crescimento anual para a demanda por produtos petrolíferos em 2020-2025 em mais de um quarto em relação à estimativa feita pela empresa um ano atrás. Ao mesmo tempo, os veículos elétricos têm aumentado sua participação no setor de transporte, e projeta-se que as baterias de grande porte para empresas de serviços públicos vão representar mais de metade das instalações de armazenamento de energia do mundo nos próximos seis anos.

"Há muitas possibilidades de transformação", disse Smart. "À medida que a demanda pelo produto básico cai, também cai o preço."

Smart preferiu não identificar as empresas que estão se saindo bem nessa transição. Mark Gainsborough, vice-presidente executivo de novas energias da Shell, estima que a empresa conseguirá gerar retornos de 8 por cento a 12 por cento com a eletricidade não regulada em algum momento, mas ele preferiu não especificar quando.

O setor enfrenta uma "crise de percepção" e cresce o risco de que a comunidade financeira se volte contra os combustíveis fósseis, disse o CEO da Saudi Aramco na terça-feira na conferência, em um momento em que a maior produtora de petróleo do mundo prepara sua primeira incursão pelos mercados de capitais.

O segredo para transitar por esse ambiente é adotar uma abordagem mais generosa ao elaborar negócios com acesso direto aos clientes, disse Smart. Por exemplo, reformar postos de combustível à beira de estradas é uma estratégia para superar novos concorrentes e impedir que investidores desanimados com as empresas de combustíveis fósseis retirem seu capital, disse ele. Quase 90 por cento dos executivos do setor de varejo de combustíveis que foram consultados pela Accenture projetam que o uso de veículos elétricos vai abalar suas empresas nos próximos cinco anos.

As maiores petroleiras do mundo provavelmente têm mais chances de construir uma rede de carga de carros elétricos por causa de seu tamanho e do número de pontos que controlam através dos postos de combustível preexistentes. Essa visão, delineada em relatório da S&P Global Ratings, abalaria as maiores empresas de energia elétrica da Europa, que apostam em obter uma nova receita com o abastecimento de carros elétricos.

--Com a colaboração de Kelly Gilblom, Javier Blas e Lars Paulsson.